LIMA - O ex-presidente peruano Alberto Fujimori foi condenado nesta terça-feira a 25 anos de prisão por abuso aos direitos humanos. Ele é o primeiro líder eleito democraticamente na América do Sul a ser condenado por este tipo de crime.


Um painel formado por três juízes considerou Fujimori culpado de ter ordenado que um esquadrão militar matasse 25 pessoas em dois massacres realizados durante seu governo de 1990 a 2000, quando ele enfrentava a oposição de guerrilhas.

Promotores pediram uma pena máxima de 30 anos de prisão para Fujimori. O ex-presidente negou as acusações, e sua defesa disse que recorrerá da decisão.

"As quatro acusações objeto de imputação estão provadas, além de qualquer dúvida razoável, em consequência a sentença que se emite é condenatória", disse o juiz.

Fujimori chegou a desfrutar de uma grande popularidade por ter fortalecido a economia do país e derrotado a insurgência maoísta Sendero Luminoso, mas um escândalo de corrupção derrubou seu governo em 2000 e ele escapou para o exílio no Japão.

As acusações pelas quais o ex-presidente do Peru foi julgado são:

  • autor intelectual da matança no distrito de Barrios Altos, Lima, em 1991, em que morreram 15 pessoas;
  • matança na Universidade de La Cantuta em 1992;
  • sequestro do jornalista Gustavo Gorriti, correspondente na época do jornal espanhol El País;
  • sequestro do empresário Samuel Dyer.

AP
Alberto Fujimori, de 70 anos, foi condenado pelo júri

Alberto Fujimori, de 70 anos, foi condenado pelo júri

Ex-presidente nega

Fujimori, de 70 anos, afirma em sua defesa que o Ministério Público jamais conseguiu provar que ele foi o autor intelectual da matança de Barrios Altos, em 1991 -que deixou 15 mortos- e da Universidade La Cantuta, em 1992, que deixou 10 mortos, motivo da acusação.

O ex-presidente considera que as acusações contra ele são fruto do "ódio e da vingança", acusando de "má fé" os promotores José Peláez, titular, e Avelino Guillén, promotor adjunto.

Fujimori afirma ainda que o Ministério Público montou "uma confusão jurídica como um Frankenstein", e "não apresenta nem uma prova, nem um indício" de seu envolvimento nesses fatos.

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* Com EFE e AFP

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