Fujimori diz que pagou milhões a assessor para evitar golpe

Lima, 17 jul (EFE).- O ex-presidente peruano Alberto Fujimori disse hoje perante a Justiça que fez um pagamento milionário a seu ex-assessor Vladimiro Montesinos em 2000 para evitar um golpe de Estado, após entender que já não precisava dos serviços do funcionário.

EFE |

Fujimori fez hoje a afirmação, imediatamente qualificada de falsa pelo promotor, em seu depoimento final no julgamento por corrupção cuja sentença deve sair na próxima segunda-feira.

O ex-presidente (1990-2000) é julgado pelo pagamento de US$ 15 milhões a seu então assessor e chefe dos serviços de inteligência, Vladimiro Montesinos, como "compensação por tempo de serviço".

Segundo Fujimori, que disse não ter tirado "jamais" dinheiro dos cofres do Estado, uma vez que se tornou pública a imensa rede de corrupção que Montesinos comandava, seu assessor "entendeu" que seus serviços não eram mais necessários.

"É por isso que ele (Montesinos) decidiu começar a preparar um golpe de Estado contra meu Governo", assinalou o ex-líder.

Fujimori explicou que o então ministro da Economia, Carlos Boloña, tentou, "por sua própria iniciativa", dissuadir Montesinos "de sua tentativa de golpe de Estado em troca de um pagamento".

Depois, Boloña, junto ao primeiro-ministro, Federico Salas, lhe explicaram que "a única alternativa para evitar um mal maior ao país era aceitar a condição do ex-assessor, que literalmente vendia sua saída", enfatizou Fujimori.

O promotor Avelino Guillén, que pediu oito anos de prisão para o ex-presidente no caso, disse que a versão de Fujimori sobre o suposto golpe de Estado "é absolutamente falsa".

Ao fim do depoimento de Fujimori, o presidente da sala que julga o ex-líder, César San Martín, anunciou que ditará a sentença na próxima segunda-feira.

Na segunda-feira passada, quando começou o julgamento, Fujimori admitiu os fatos, mas não a responsabilidade penal.

Fujimori, extraditado do Chile em setembro de 2007 por dois casos de violação dos direitos humanos e cinco de corrupção, também foi sentenciado a seis anos de prisão pela revista ilegal da casa da mulher de Montesinos em 2000. EFE watt/rr

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