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Fujimori diz que massacres de Barrios Altos e La Cantuta foram erros

Lima, 17 dez (EFE) - O ex-presidente peruano Alberto Fujimori admitiu hoje que os massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), pelos quais é processado por violação aos direitos humanos, foram erros lamentáveis de sua política antiterrorista.

EFE |

"Eu novamente reitero, não errei (em relação à política antiterrorista), com exceção destes lamentáveis crimes (Barrios Altos e La Cantuta)", disse Fujimori na audiência durante a qual foi exibido um vídeo e um áudio ligados aos referidos massacres.

Ele insistiu em que quando, na "nova estratégia" plasmada em manuais e direções das Forças Armadas, "fala-se em eliminar eles (terroristas) e seu veneno", não se refere ao ato de matar, e sim a "desaparecer o terrorismo da face do Peru".

Sobre o vídeo apresentado hoje na Sala Penal Especial, Fujimori comentou que os trechos "não refletem a linha e conduta" de seu Governo, "nem a atuação como presidente na luta contra o terrorismo".

O ex-líder reiterou que nem o ex-chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas, Nicolás de Bari Hermoza, nem seu ex-assessor Vladimiro Montesinos o informaram da existência do grupo militar Colina ou de agentes de inteligência dedicados à guerra suja.

Fujimori esclareceu que defendeu Montesinos durante seu Governo porque "não sabia nada sobre seus atos ilícitos".

O ex-presidente peruano (1990-2000) e então chefe máximo das Forças Armadas é acusado de ser o autor mediato (planejar, organizar e dirigir) dos massacres de Barrios Altos e La Cantuta, cometidos por Colina, que supostamente foi criado por Montesinos para lutar contra o terrorismo.

No início da audiência, o ex-major do Exército Santiago Martin Rivas pediu desculpas públicas a Fujimori "pelos excessos verbais" que considera que teria incorrido em um vídeo no qual afirma que o ex-líder ordenou os dois massacres.

O material audiovisual é uma entrevista feita pelo jornalista Umberto Jara a Martin Rivas, em sua qualidade de chefe operacional do paramilitar grupo Colina.

Martin Rivas confirmou ao juiz que suas declarações no vídeo foram efetivamente feitas por ele, mas que agora não as aprovava, porque foram induzidas pelo repórter.

Já Jesús Sosa, o outro ex-Colina intimado à audiência de hoje, disse que o então procurador Ronald Gamarra, agora advogado da parte civil, sugeriu que acusasse Fujimori pelos massacres para obter benefícios carcerários.

Ele afirmou que, ao rejeitar o pedido, as autoridades recomendaram que acusasse Montesinos, preso na base militar de Callao desde 2001 com várias sentenças por corrupção.

Sosa ratificou a versão que deu na primeira apresentação neste processo e admitiu a entrevista concedida ao jornal "La República" sobre Barrios Altos e La Cantuta. EFE wat/db

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