LIMA (Reuters) - O ex-presidente peruano Alberto Fujimori qualificou de intriga jurídica nesta sexta-feira as acusações de violações aos direitos humanos contra ele e considerou de fofocas e rumores os testemunhos de acusação, no último dia de seu julgamento. A sentença será anunciada na terça-feira, após quase um ano e quatro meses de processo.

Em outro notório discurso político no segundo e último dia de autodefesa, Fujimori afirmou novamente estar convencido de que não há provas de que seu governo aplicou uma "guerra suja" na luta contra a guerrilha esquerdista.

"Como armaram essa intriga jurídica, este palanque legal como Frankenstein", se perguntou Fujimori com tom enérgico.

"Cheguei a conclusão de que se trata de uma estrutura probatória. Para mim, a acusação e a realidade dos fatos estão em uma distância sideral", acrescentou o ex-mandatário de 70 anos.

Fujimori é julgado pelos delitos de homicídio qualificado e sequestro pela morte de 25 pessoas, entre elas uma criança, cometida por um esquadrão militar, além do sequestro de um empresário e um jornalista opositores.

Sobre as provas apresentadas pela acusação, Fujimori criticou duramente os depoimentos de mais de 90 testemunhas durante o processo iniciado no final de 2007.

"Testemunhos que em palavras simples são apenas boatos e rumores, documentos e cópias destes documentos ou planos sem assinaturas, dos quais não se verificam sua validade", disse o ex-presidente.

Procuradores pedem 30 anos de prisão para o ex-presidente peruano.

(Reportagem de Marco Aquino)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.