Fujimori admite corrupção no Governo e encurta julgamento

Lima, 13 jul (EFE).- O ex-presidente peruano Alberto Fujimori reconheceu hoje, num novo julgamento, que em 2000 seu então assessor Vladimiro Montesinos recebeu um pagamento de US$ 15 milhões.

EFE |

Apesar de ter admitido o fato, Fujimori disse não ter sido o responsável pela entrega do dinheiro. Ainda assim, a declaração pode antecipar para sexta-feira a sentença do caso.

Durante a audiência no tribunal, a primeira do novo julgamento, Fujimori dormiu em vários momentos e teve a pressão tirada devido a problemas de hipertensão arterial.

Por isso, o juiz que conduz o processo, César San Martín, ordenou a suspensão da sessão para quarta-feira, quando a acusação e a defesa apresentarão seus argumentos.

San Martín disse ainda que aguarda um comunicado do Instituto Médico Legal (IML) para ordenar ainda hoje, se for o caso, a transferência de Fujimori para um hospital, onde o ex-chefe de Estado deve ser submeter a um exame cardiológico.

O julgamento por corrupção será rápido porque Fujimori, estrategicamente, decidiu admitir os fatos alegados pela acusação.

Por causa da manobra, a fase de interrogatório será pulada.

Fujimori, que em março foi condenado em primeira instância a 25 anos de prisão por dois casos de violação dos direitos humanos, disse: "Apenas admito os fatos, não aceito a responsabilidade penal, a pena nem a reparação civil".

Após o escândalo de corrupção surgido no Governo de Fujimori em setembro de 2000, Montesinos supostamente pressionou-o para que pagasse US$ 15 milhões a título de "indenização trabalhista" pelos dez anos de serviço prestado à Presidência.

Pelos delitos de peculato (cometido por servidores públicos em benefício próprio ou de terceiros) e falsidade ideológica, o promotor Avelino Guillén pediu hoje que Fujimori seja condenado a oito anos de prisão e a pagar 2 milhões de sóis (US$ 666 mil) ao Estado.

O advogado de defesa César Nakazaki, por sua vez, argumentou que Fujimori não pode ser condenado por peculato porque é possível verificar "a restituição dos fundos públicos". Ele alegou ainda que a acusação de falsidade ideológica não procede porque seu cliente emitiu um decreto de urgência na qualidade de presidente "dentro da prerrogativa de inviolabilidade".

Em 2000, Fujimori assinou um decreto transferindo US$ 15 milhões que seriam das Forças Armadas para executar um plano que seria usado para acabar com uma organização internacional clandestina que fornecia armas às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

No entanto, a Promotoria alega que esse dinheiro não foi utilizado em nenhum plano militar, mas para pagar a Gratificação por Tempo de Serviço (GTS) de Montesinos, um benefício social concedido a todos os trabalhadores peruanos.

A teoria da acusação é que Montesinos entregou os US$ 15 milhões a seu testa-de-ferro e vendedor de armas James Stone Cohen, para que depositasse o dinheiro numa conta bancária na Suíça. Depois, o ex-assessor presidencial fugiu para o Panamá, na busca de um asilo político que nunca recebeu.

Dois meses após o pagamento a Montesinos, Fujimori entregou ao então ministro da Defesa quatro malas. Dentro delas, havia US$ 15 milhões, entregues como restituição ao dinheiro desviado antes. EFE watt/sc

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