Frota militar chinesa zarpa em missão histórica contra piratas

A Marinha chinesa deu início nesta sexta-feira a uma missão histórica de escolta antipirataria nas costas da Somália, a primeira das forças navais de Pequim desde o século XV, o que pode marcar o começo da participação do país em operações militares no exterior.

AFP |

Três navios - dois destróieres ("Haiku" e "Wunhan") e um de abastecimento - zarparam do porto de Sanya, na ilha de Hainan, a província mais meridional da China.

A frota é integrada por 800 homens, 70 deles membros de uma força especial da Marinha, segundo o governo.

Os três navios chineses se unirão à força multinacional que patrulha as costas da Somália, mais concretamente o Golfo de Aden, entre Iêmen e Somália, uma via marítima para o canal de Suez e uma das principais rotas do comércio euro-asiático.

A missão pode ter duração de três meses.

"A participação militar da China envia uma mensagem político forte à comunidade internacional: a China, com sua atual força militar e econômica, quer desempenhar um papel maior na manutenção da paz e segurança internacionais", afirmou Li Wei, especialista em antiterrorismo do Instituto de Relações Internacionais Contemporâneas.

"Como é nossa primeira missão no exterior, podemos enfrentar situações que não prevemos. Mas estamos preparados para isto", disse o comandante da força, o contra-almirante Du Jingcheng.

É a primeira missão deste tipo das forças navais do Exército Popular de Libertação em seus 81 anos de vida e de toda a Marinha chinesa desde o século XV e da dinastia Ming, segundo os historiadores.

A Marinha chinesa tem como missão defender as costas chinesas e suas operações no exterior - incluindo a primeira volta ao mundo em 2002 - se limitaram até agora a manobras conjuntas, escalas portuárias e visitas diplomáticas.

Pequim decidiu, semana passada, se unir à luta contra os piratas que infestam as águas da Somália para proteger os navios mercantes, especialmente chineses, e as embarcações que transportam ajuda humanitária de organizações internacionais como o Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU.

A quarta maior potência econômica mundial alega que sua luta antipirataria está "em estrita conformidade com as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e as leis internacionais".

Grande parte do comércio chinês transita pelo Golfo de Aden. Sete cargueiros chineses foram atacados na região em 2008.

A Marinha chinesa é a instituição mais frágil das Forças Amadas que Pequim deseja modernizar, atualmente com 2,3 milhões de oficiais.

jg/fp

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