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Fritzl ouve depoimento da filha com vergonha do assédio da imprensa

SANKT POLTEN - Josef Fritzl ouviu o testemunho acusatório de sua filha Elisabeth nesta terça-feira. O relato gravado em vídeo conta os 24 anos nos quais a vítima ficou trancada em um porão e foi violentada sistematicamente pelo pai em Amstetten, na Áustria, até abril de 2008, quando foi libertada.

Redação com agências internacionais |

AP

Imprensa consegue tirar foto de Fritzl sem segundo dia de julgamento

Na abertura do processo desta terça, o acusado novamente compareceu à sessão com o rosto escondido por uma pasta.

Segundo o advogado do réu, ele estava com "vergonha" devido à presença de vários veículos de comunicação que estiveram presentes no julgamento.

Apesar de não ter sido permitido a entrada de jornalistas na sala, como medida de proteção à intimidade das vítimas, não foi possível impedir que um repórter tirasse uma foto de Fritzl.

O depoimento foi apresentado ao tribunal que julga Fritzl, nesta terça, e, em apenas 11 horas, concentra os 8.461 dias de cativeiro, os abusos sofridos, os sete filhos que deu à luz no porão e sua vida em um local de apenas 60 metros quadrados, sem ventilação ou luz natural. A promotora definiu a vida de Elisabeth como um "martírio inimaginável".

Um porta-voz judicial explicou que o documento foi gravado por Elisabeth durante vários dias e a experiência foi "muito estressante para ela".

Somente um irmão da vítima aceitou depor por meio de uma gravação, uma possibilidade recusada pelo resto da família, que se negou a testemunhar.

No entanto, não foram divulgados detalhes sobre a reação do réu, de quem só se revelou que "acompanhou a exibição com toda a atenção e cuidado", respondendo às perguntas feitas, no que foi o primeiro "encontro" entre Fritzl e sua vítima desde que ela foi libertada, em abril do ano passado.

O depoimento foi o elemento essencial na segunda sessão do julgamento do austríaco, conhecido como "Monstro de Amstetten", que se desenvolve na Audiência Provincial da cidade de Sankt Pölten.

Durante a exibição do vídeo, o júri popular, a promotora e a defesa de Fritzl interrogaram também um neonatologista sobre a suposta responsabilidade do réu na morte de um dos sete filhos que teve com Elisabeth, em 1996.

Baseando-se no testemunho da vítima, a promotoria argumenta que Fritzl ignorou os pedidos da filha para que trouxesse ajuda médica para o recém-nascido devido aos problemas respiratórios que sofria. Essa acusação pode fazer com que Fritzl pegue prisão perpétua.

Julgamento

A sentença do aposentado de 73 anos deve ser divulgada nesta quinta-feira, para quando está previsto o anúncio do veredicto de culpabilidade ou inocência.

O júri deve terminar de assistir ao testemunho da vítima e de um de seus irmãos nesta terça. E a apresentação de um relatório psiquiátrico sobre o estado mental do acusado, aberta a um pequeno número de jornalistas, deve ocorrer nesta quarta-feira.

Também está previsto que dois peritos testemunhem sobre os sistemas de ventilação e acesso ao porão-prisão onde Elisabeth e seus filhos foram mantidos.

Com toda essa informação, os oito membros do júri popular se retirarão para deliberar para começar, na quinta-feira, a responder ao questionário sobre as acusações contra Fritzl: assassinato, escravidão, violação, cárcere privado, coação e incesto.

Após o veredicto ser emitido, o júri, junto com os três juízes profissionais que conduzem o processo, decidirá a sentença contra o austríaco, que pode ir de um ano de cadeia até prisão perpétua.

Segundo a AP, Erich Huber-Guenstehofer, representante do chefe da prisão de St. Poelten, disse aos repórteres que Fritzl recebeu uma visita misteriosa em sua cela, no começo deste mês. O homem parecia ser um corretor de imóveis. Huber-Guenstehofer disse que a visita foi interrompida assim que policiais perceberam que o homem estava tentando tratar de assuntos "muito pessoais" com Fritzl.

Huber-Guensthofer não deu mais detalhes e não ficou claro se Fritzl estava correndo algum perigo.

Nesta terça-feira, a mídia austríaca ridicularizou Fritzl por esconder o rosto no tribunal desde o início do julgamento nesta segunda.

"Agora ele está com vergonha - 25 anos tarde demais", disse o jornal "Heute" em sua primeira das câmeras da imprensa com uma pasta azul.

(Com informações da AP e da EFE)

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