Fritzl diz que abusos contra a filha eram uma dependência

Viena, 8 mai (EFE).- Josef Fritzl, o austríaco que trancou a filha no porão de sua casa e a violentou sistematicamente durante 24 anos, afirmou que os abusos cometidos contra sua vítima eram uma dependência.

EFE |

As declarações de Fritzl, de 73 anos, fazem parte da entrevista com seu advogado de defesa, Rudolf Mayer, da qual alguns trechos foram publicados hoje na revista austríaca "News".

Fritzl reconhece que o impulso de manter relações sexuais com a própria filha "foi se tornando mais forte", mas negou que os abusos tenham começado quando Elisabeth tinha 11 anos, como a vítima, hoje com 42 anos, disse à Polícia.

Na reportagem da "News", cuja autenticidade foi confirmada à Agência Efe pelo advogado, Fritzl reconhece que prejudicava sua filha, mas a "ansiedade de poder fazer algo proibido" era mais forte.

Fritzl, técnico eletricista aposentado, engravidou a filha sete vezes durante os 24 anos em que a manteve no cativeiro. Sobre isso, o austríaco afirmou que "se alegrava com seus descendentes" e que era lindo "ter uma autêntica família no porão".

Nesse aterrorizante microcosmo, Fritzl exerceu sua autoridade incontestável sobre Elisabeth e os três filhos que teve com ela.

"Eu era aceito completamente como chefe de família. Nunca se atreveram a me atacar", disse.

Fritzl chegou a advertir as vítimas de que a porta do cativeiro estava energizada e que morreriam eletrocutados se a tocassem.

O austríaco, que já havia sido condenado à prisão em 1967 por um estupro, trancou a filha no porão em 1984 e criou uma história de que a jovem tinha fugido de casa para participar de uma seita desconhecida.

Tentando justificar seu crime, Fritzl contou ao advogado que quando Elisabeth chegou à adolescência, deixou de respeitar suas ordens e começou a "beber e fumar".

"Por isso tive que procurar um lugar onde, em algum momento, pudesse manter Elisabeth afastada à força do mundo externo", justificou Fritzl.

Sobre sua infância, o acusado diz que foi criado durante o nazismo e que nessa época o treinamento e a disciplina significavam muito.

Além disso, Fritzl confirmou que os três filhos-netos que levou para sua casa eram os mais fracos. Também disse que obrigou a filha a escrever as cartas que usou para forjar o abandono das crianças e assim justificar suas aparições.

Fritzl forçou a filha a escrever outra carta em janeiro, na qual anunciava o retorno para casa com três filhos.

O austríaco explica que "tinha ficado velho" e que, no futuro, não poderia "cuidar" de sua família do porão.

Segundo o seu plano, os reféns deveriam alegar que tinham vivido todo esse tempo em um lugar secreto junto aos membros de uma seita.

A história foi descoberta no final do mês passado, quando Fritzl se viu obrigado a ir a um hospital com Kerstin, a filha mais velha, afetada por uma grave doença genética e relacionada ao incesto. EFE as/wr/plc

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