Fritzl descreve ao tribunal maus-tratos sofridos na infância

Sankt Pölten (Áustria), 16 mar (EFE).- Josef Fritzl, o aposentado austríaco que manteve a filha presa na própria casa por 24 anos, período no qual ela teve sete filhos decorrentes de seus abusos sexuais, falou hoje em juízo sobre sua difícil infância.

EFE |

Trêmulo e com a voz embargada, Fritzl contou que foi váris vezes agredido pela mãe durante sua "duríssima infância" e que não tinha amigos.

"Minha mãe nunca me amou. Ela já tinha 42 anos (quando nasci).

Ela me maltratava", falou o aposentado enquanto expunha à juíza Andrea Humer sua condição de filho indesejado.

O réu também contou que, aos 12 anos de idade, começou a se defender das agressões da mãe: "A partir desse momento virei um demônio para ela".

A mãe de Fritzl morreu após ficar trancafiada durante anos no piso superior de sua casa, cujas janelas o aposentado tapou para que ela não pudesse ver a luz do sol.

A relação do réu com a mãe veio à tona depois que parte de seu histórico psiquiátrico vazou à imprensa marrom da Áustria.

Durante o tratamento psiquiátrico, Fritzl confessou que tinha medo da mãe mais do que qualquer outra coisa, e que a odiava por chamá-lo de "satã, inútil e criminoso" e porque ela o proibia de praticar esportes e ter amigos.

O tratamento ressaltou a falta de piedade de Fritzl para com o sofrimento alheio e o uso das pessoas à sua volta em benefício próprio, algo decorrente da falta de carinho durante a infância.

Apesar de tais distorções em sua personalidade, os peritos estabeleceram que o réu está em pleno uso de suas faculdades mentais e pode ser julgado. EFE As-ll/bba/sc

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