Frio polar deixa ao menos 80 mortos em 5 países do Cone Sul

O país com maior número de vítimas é a Argentina que, desde o início do inverno, registrou 44 mortes

EFE |

A onda de frio polar que atinge o Cone Sul, incluindo zonas subtropicais, deixou até agora pelo menos 80 mortos em cinco países da região por hipotermia ou por intoxicação por causa do uso de sistemas de calefação defeituosos. O frio também causou a morte de gado em áreas brasileiras vizinhas ao Paraguai, forçou a declaração de emergência agrícola no sul do Chile e acarretou o cancelamento ou suspensão de dezenas de voos regionais no aeroporto "Jorge Newbery" de Buenos Aires.

Na Argentina, o número de mortos por hipotermia chegou a 11 , depois que foi registrado a morte de um bebê e de um idoso na cidade de La Rioja (noroeste) no domingo. Desde o começo do inverno, outros 33 morreram na Argentina por intoxicação com monóxido de carbono e uso de artefatos ou instalações de calefação defeituosas.

AE
Na cidade de São Joaquim, em Santa Catarina, os termômetros registraram -5,2ºC (14/07/2010)
Na Bolívia, a onda de frio deixou 18 mortos, a metade deles habitantes da cidade de El Alto, vizinha a La Paz. As baixas temperaturas afetaram especialmente as regiões do leste boliviano, de clima subtropical quente, onde foram registradas as últimas mortes no domingo: duas no Departamento (Estado) de Santa Cruz e outra em Tarija, na fronteira com a Argentina. Em Santa Cruz foram contabilizados seis mortos no total, todos indigentes, enquanto no Departamento de Cochabamba morreram dois bebês, um abandonado e o outro com seus pais, com os quais vivia nas ruas da cidade.

O Ministério da Educação da Bolívia suspendeu as aulas até quarta-feira para prevenir a proliferação de gripe e de outras doenças entre os estudantes, enquanto o serviço meteorológico anunciou que a onda de frio no país deve se prolongar até agosto, em períodos cíclicos de frentes frias.

No Brasil, pelo menos nove pessoas, a maioria sem-teto, morreram no sul do país em consequência da onda de frio que reduziu as temperaturas aos níveis mais baixos que o normal em várias cidades, incluindo em algumas localidades da Amazônia.

Na semana passada, os termômetros chegaram a marcar -7,8ºC em Urupema (SC), na fronteira com a Argentina, a menor temperatura registrada no Brasil esse ano. Em Vilhena (PA), a temperatura caiu para 7,6ºC no sábado, o menor registro desde 1994.

No Chile, a onda de frio polar deixou dois mortos em Santiago, onde as temperaturas caíram para -2ºC, enquanto o sul do país sofre uma situação crítica, com centenas de habitantes isolados pelas nevascas. Na região sul de Aysén, a 1,6 mil quilômetros da capital chilena, onde as temperaturas mínimas oscilaram entre -10ºC e -15ºC, há povoações isoladas e milhares de cabeças de gado e de ovelhas em perigo pela falta de alimentos.

As autoridades declararam estado de emergência agrícola em várias localidades da região, onde também houve cortes de provisões elétricas e se fechou durante alguns dias o principal aeroporto da área, em Balmaceda.

Enquanto isso, a polícia do Paraguai anunciou nesta segunda-feira a morte por hipotermia de um homem de 80 anos, morador de Itá, localidade vizinha a Assunção, passando para cinco o número de mortos pela onda de frio que afeta o país há mais de uma semana. Essa situação obrigou as autoridades a habilitar albergues e recolher os moradores de rua de Assunção e dos municípios vizinhos.

Até agora foram reportados dois mortos pelas baixas temperaturas no Uruguai, onde a temperatura caiu para -5ºC em regiões do centro e leste do país. Nas últimas semanas 104 pessoas morreram por pneumonias e doenças respiratórias no Peru, resultado do frio e do atendimento médico deficiente, segundo informações que não permitem precisar quantas vítimas correspondem a casos de hipotermia.

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