Temperaturas caem e frio causa mais mortes na Europa

Número de mortes causadas pelo inverno rigoroso sobe para 83, sendo 43 vítimas registradas só na Ucrânia

iG São Paulo |

O número de mortes causadas pelo frio na Europa subiu para 83 nesta quarta-feira, quando as temperaturas chegaram abaixo dos 30 graus negativos em várias regiões, causando cortes de energia, caos no trânsito e o fechamento de escolas e creches. A neve pesada causou problemas em toda a Europa, cobrindo boa parte da Itália, no sul, até a Turquia, a leste. Na França, a onda de frio deixou mais de 30 mil casas do sul do país sem energia elétrica.

Até agora, seis países europeus registraram mortes por causa da onda de frio: Ucrânia, Romênia, Polônia, Sérvia, Bulgária e Rússia. A situação mais grave é a da Ucrânia. De acordo com o Ministério de Emergências, o frio deixou 43 mortos, sendo que 28 foram encontrados nas ruas, oito morreram em hospitais e sete em casa.

AFP
Jovem se protege do frio ao andar pelo centro de Kiev, na Ucrânia (01/02)

Mais de 720 foram hospitalizados para tratar hipotermia ou ferimentos causados pelo frio. As autoridades abriram mais de 1.730 abrigos para oferecer aquecimento, comida, chá e café para moradores de rua. O governo pediu que os hospitais não liberem moradores de rua, mesmo que seu tratamento tenha sido finalizado.

“Infelizmente as pessoas continuam morrendo, mas estamos tomando todas as providências para impedir que isso aconteça", disse a porta-voz do Ministério da Saúde, Svitlana Tikhonenko.

O primeiro-ministro do país, Mykola Azarov, fez um apelo para que os ucranianos “se mantenham atentos, usem roupas quentes e ajudem uns aos outros”. “Peço a todos os cidadãos, empresas e organizações que não sejam indiferentes, que apoiem e protejam aqueles que não podem se proteger neste momento difícil”, afirmou. “Somos um só povo.”

A declaração foi feita após analistas sugerirem que o alto número de mortos indica a incapacidade das autoridades ucranianas de resolver a situação dos moradores de rua.

Em entrevista à Associated Press, Pavlo Rozenko, especialista em políticas sociais do centro Razumkov, em Kiev, disse que as autoridades ucranianas mantêm o legado soviético que vê moradores de rua como alcoólatras e viciados em drogas, que devem ser banidos da sociedade. “Esse país ainda não sabe cuidar de seus mendigos", afirmou.

Helicópteros de resgate

Em algumas regiões da Sérvia e da Bósnia, o governo usou helicópteros para resgatar dezenas de moradores de vilarejos bloqueados pela neve, e também para entregar mantimentos a quem não consegue sair de casa.

Na Sérvia, 12 pessoas foram resgatadas na região central do país. Nove tinham ido a um funeral e ficado impedidas de voltar para casa por causa das estradas cheias de neve.

O país registrou cinco mortes causadas pelo frio. “A situação é dramática. Em alguns lugares você só consegue ver os telhados das casas, em meio à neve”, afirmou o médico Milorad Dramacanin, que participou das operações de resgate com helicópteros.

Na Bósnia, o governo estima que entre 200 e 300 moradores estejam impedidos de sair de suas casas por causa da neve. “Estamos tentando chegar a vários vilarejos onde há muitos idosos”, disse Milimir Doder, que participa das operações de resgate. “Estamos distribuindo remédios e comida.”

Alguns desses vilarejos estão sem eletricidade, disse Doder. “Se mais neve cair, a situação pode ficar crítica”, acrescentou.

Itália e França

Na Itália, a onda de frio polar causou intensas nevascas, principalmente nas regiões setentrionais, assim como uma baixa drástica das temperaturas em todo o território. Nas regiões nortistas do Vale de Aosta, Trentino-Alto Adige, Friul-Veneza Giulia, Piemonte (cuja capital é Turim) e Lombardia (capital Milão), a neve provocou interrupções em estradas e ferrovias.

A neve não apareceu só na parte norte do país, mas também foram registradas nevascas no sul, como, por exemplo, na ilha da Sicília. Na cidade siciliana de Messina uma criança morreu depois que o carro no qual viajava com sua mãe foi levado por uma enchente. As difíceis condições meteorológicas obrigaram, além disso, a suspender o serviço de navios que ligam a península à ilha toscana de Giglio, onde o cruzeiro Costa Concordia naufragou em 13 de janeiro .

Os jogos da 21ª rodada do Campeonato Italiano, do Siena contra o Catania e do Bologna contra o Fiorentina, que seriam realizados nesta quarta-feira foram adiados, e na terça-feira Parma e Juventus também não puderam jogar por causa da neve.

Na França, uma camada de 20 centímetros de neve se acumulou na Ilha de Córseja, enquanto 30 mil casas no sul do país ficaram se luz. As nevascas e as geadas fizeram com que ficasse proibida a circulação de caminhões de mais de 7,5 toneladas nas estradas dos seis departamentos de Provence-Alpes-Côte d'Azur, no sul e leste do país.

Em Paris, onde os termômetros marcaram temperaturas abaixo de zero, o frio levou os sem-teto a procurar abrigo nas 8 mil praças de hospedagem que a cidade disponibiliza para eles. Os serviços meteorológicos esperam nova onda de frio a partir de quinta-feira.

Japão

O Japão também sofre com um rigoroso inverno. De acordo com autoridades, mais de 50 mortes foram causadas na última semana, após fortes nevascas no norte e no centro do país. A previsão é que a nevasca continue em todo o país nos próximos dias.

Com AP e EFE

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