Frio faz Itália impor medidas de emergência para conter consumo de gás

Frio aumenta demanda pelo produto; autoridades decretam situação de emergência na Sérvia, onde 70 mil residentes estão presos pela neve

iG São Paulo |

A Itália impôs medidas energéticas de emergência às indústrias para que elas conservem seus estoques de gás enquanto as baixas temperaturas que continuam a atingir o país e grande parte da Europa forçam um aumento da demanda pelo produto.

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AP
O canal San Giuliano que liga Veneza a Mestre parcialmente congelado por conta das baixas temperaturas

O governo e as autoridades industriais vão se reunir para discutir sobre uma "crítica" situação energética. A Itália importa a maior parte de sua energia e, ao mesmo tempo que o consumo de gás aumentou, o fornecimento da Rússia foi reduzido.

Autoridades da União Europeia entretanto negam que há uma emergência causada por uma queda no fornecimento de gás da Rússia, mas a empresa de energia Italiana, Eli, disse que os estoques no país estão abaixo dos 20%.

A gigante da Rússia no setor, a Gazprom - que fornece gás para cerca de um quarto da Europa - disse que está passando por um aumento da demanda doméstica por conta do extremo frio.

O governo da Itália garantiu que o povo não passará por problemas em aquecer suas casas, mas a Eni falou sobre um "momento difícil"e a chefe da organização italiana, Emma Marcegaglia, disse que estava "preocupada" com a situação e com o corte de suprimentos.

Algumas estações de energia vão trocar seu combustível por petróleo e alguns clientes industriais terão um corte nos estoques de gás para que as casas se mantenham aquecidas.

Entretanto, Eni pediu aos consumidores particulares a cortar o consumo de energia o máximo possível. O chefe-executivo Paolo Scaroni disse: "Estamos em emergência e reagimos a ela aumentando as importações de gás da Argélia e do norte da Europa através da Suíça. Nós não teremos problemas até quarta-feira."

Uma "situação de emergência" foi estabelecida no sul da Sérvia, onde 70 mil residentes estão presos pela neve. A ordem, que é um grau abaixo de um estado de emergência, permite ao governo solicitar que empresas privadas ajudem na limpeza da neve com máquinas e funcionários.

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Predrag Maric, chefe dos serviços de emergência da Sérvia, afirmou à rádio B92 que a situação mais crítica era agora nos rios Danúbio e Ibar, onde uma espessa camada de gelo está se formando.

"Especialistas do Exército verão se a camada de gelo (no Ibar) pode ser quebrada com explosivos de uma maneira que seja segura para as pessoas e para o meio ambiente", disse, acrescentando que o governo está convocando quebra-gelos para limpar o Danúbio.

Na Grécia, diversas aldeias perto da fronteira com a Bulgária foram esvaziadas depois que o rio Evros transbordou e as autoridades declararam estado de emergência na região.

Na Bulgária, a chuva e neve derretida fizeram com que o muro de contenção de uma represa se rompesse na segunda-feira, o que provocou a morte de oito pessoas no vilarejo de Bisser. O governador do distrito, Irena Uzunova, que decretou um dia de luto pelas vítimas, disse que oito pessoas estavam mortas, e o paradeiro de um casal de idosos seguia desconhecido.

"Foi assustador", disse Iliyan Todorov, do vilarejo de Bisser, ao jornal Trud. "Fomos informados de que o tsunami estava chegando apenas cinco minutos antes da chegada da onda... sobrevivemos por milagre."

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Homem caminha perto de barcos cobertos de neve em parte congelada do Rio Sava, em Belgrado, Sérvia
A Comissária Europeia de Resposta à Crise, Kristalina Georgieva, disse que "o pior ainda estava por vir" depois que visitou Bisser, duramente atingida pela inundação da represa. "As próximas duas semanas devem ser realmente duras. O clima mais quente vai fazer com que a neve derreta e a situação deve piorar", disse ela segundo o canal bTV.

Três regiões no sul e no centro da Bulgária continuam em estado de emergência pela cheia de rios, mas até agora não há vítimas nesses locais. Falta eletricidade em 300 cidades e vilarejos da Bulgária. As estradas foram fechadas, assim como vários postos de controle na fronteira com a Romênia e a Turquia, disse o Ministério do Interior. O ministério disse que estava prevista mais neve.

Dois outros diques estão próximos de ceder e oficiais declararam um "código laranja" para a maior parte do país, um alerta severo sobre os riscos de danos ou ferimentos, resultantes das duras condições deste inverno.

Na Itália, a neve e o gelo paralisaram grande parte dos serviços públicos. As temperaturas caíram para -10ºC no sul e -21ºC no norte nesta terça-feira. Mais duas mortes foram registradas e a maior parte das rodovias estão bloqueadas.

Uma mulher foi encontrada morta nesta terça-feira, aparentemente por conta de hipotermia, e um homem, de 86 anos, morreu após ter caído no gelo. Mais de 25 morreram nos últimos dias no país.

O Exército foi acionado para ajudar centenas de pessoas que teriam passado a noite de segunda-feira abandonados em uma estrada perto da cidade de Candela, em Puglia.

Cerca de 146 cidades e vilarejos da Romênia ficaram isolados, sem ligações por estrada ou por trens por causa das nevascas. Até 174 vilarejos não tinham energia elétrica, disse à Reuters o porta-voz do departamento de emergência da Romênia, Alin Maghiar.

Grande parte do leste e do sul da Bósnia também foram isoladas pela neve e por avalanches. Não houve nenhum contato desde sexta-feira com o povoado de Zijemlje, a cerca de 30 km da cidade de Mostar.

"Nós não sabemos o que está acontecendo lá. Eles não têm eletricidade desde sexta-feira e as linhas telefônicas estão cortadas, eles não têm água corrente", afirmou Radovan Palavestra, prefeito de Mostar.

"Há pessoas idosas que são muito frágeis e crianças, incluindo um bebê de dois meses, e no total há entre 130 e 150 pessoas", acrescentou Palavestra. Um helicóptero que deveria ter voado para ajudar Zijemlje não pôde decolar na manhã desta terça-feira devido a uma forte nevasca, segundo as autoridades.

Com AFP, EFE, Reuters e BBC

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