Frio extremo nos EUA é indício de mudança climática, diz estudo

Por Deborah Zabarenko WASHINGTON (Reuters) - O frio extremo no norte dos Estados Unidos mostra que a mudança climática pode ter efeitos graves, mesmo quando não causa aquecimento, disse um relatório divulgado na quinta-feira.

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Em geral, a mudança climática deve trazer invernos mais curtos e brandos, mas algumas áreas dos EUA terão nevascas mais intensas, com mais transtornos a atividades como esqui e pesca no gelo, que dependem de condições previsíveis, disse o relatório da Federação Nacional da Vida Selvagem.

"Um clima de inverno mais esquisito é uma péssima notícia para os esquiadores", disse Chip Knight, dirigente da federação e ex-esquiador olímpico dos EUA.

Os esportes de montanha na neve que exigem condições confiáveis geram cerca de 66 bilhões de dólares para a economia; sem eles, comunidades locais ficam vulneráveis, disse Knight.

Ele citou a dificuldade dos organizadores da Olimpíada de Inverno de Vancouver para colocar neve nas instalações de competição como "um assustador exemplo do que está em jogo".

No norte dos EUA, a primavera agora chega 10 a 14 dias antes do que há 20 anos. Mas algumas áreas devem ter nevascas mais fortes, conforme a rota das tempestades invernais se deslocar para o norte. A redução da cobertura de gelo nos Grandes Lagos também pode resultar em nevascas espessas, decorrentes do contato dos ventos frios com a água mais quente.

A atual estação já apresenta repentinas oscilações de temperatura que, entre outras coisas, isolou um bando de pelicanos que não conseguiu migrar para o sul durante um período de clima ameno no final do outono. Depois de sofrerem lesões por congelamento, eles passam o inverno num ambiente fechado em Maryland, segundo a climatologista Amanda Staudt, também da Federação.

Segundo ela, reduzir as emissões de gases-estufa é "um primeiro passo essencial", o que no entanto não significa que a mudança climática não terá de ser confrontada.

"Está claro que já estamos vendo alguns impactos e precisamos começar a nos preparar para as novas realidades climáticas. Não podemos continuar a nos planejar com base no que têm sido as tendências históricas", disse ela.

Sheldon Drobot, do centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas, disse ainda que a imprevisibilidade do clima pode afetar orçamentos públicos, já que os invernos mais brandos podem ser interrompidos por fortes e repentinas nevascas que exigem remoção da neve e manutenção de estradas. A variabilidade extrema de uma temporada para outra torna qualquer planejamento de manutenção difícil, acrescentou ele.

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