Argel, 5 mai (EFE) - A Frente Polisário vinculou hoje a manutenção do cessar-fogo no Saara Ocidental, em vigor desde 6 de setembro de 1991, à realização de um plebiscito de autodeterminação e assegurou que não aceitará entrar em um processo para negociar direitos inalienáveis e imprescritíveis.

Em comunicado após a reunião de seu Secretariado Nacional para analisar a última resolução adotada pelo Conselho de Segurança da ONU, o grupo indica que o cessar-fogo "é indissociável da realização de um plebiscito de autodeterminação".

"Qualquer tentativa que tente desnaturalizar o caráter de descolonização do conflito está irremediavelmente destinada ao fracasso", aponta o comunicado, enviado pelo Ministério de Exteriores da República Árabe Saaráui Democrática.

Além disso, adverte de que a Frente Polisário "não aceitará, nem hoje nem amanhã, entrar em processo que tenha como objetivo a negação dos direitos inalienáveis e imprescritíveis do povo saaráui à autodeterminação e à independência".

Em seguida, o comunicado elogia a última resolução do Conselho, na qual este "decidiu consagrar a legalidade internacional e reafirmar a pertinência das resoluções 1754 e 1783".

Apesar disso, considera "ilegal, injusto e completamente alinhado com as teses do ocupante colonial marroquino" o posicionamento do enviado especial da ONU para o Saara Ocidental, Peter van Walsum.

"O objetivo dessas teses é o confisco dos direitos inalienáveis do povo saaráui à autodeterminação e à independência", acrescenta.

Van Walsum apresentou um relatório ao Conselho de Segurança em 21 abril no qual considerava que a independência da ex-colônia espanhola "não é uma opção realista" e recomendava à Frente Polisário renunciar à mesma.

"O Secretariado Nacional condena vigorosamente esta aproximação e considera que o senhor Van Walsum perdeu a confiança do povo saaráui e não pode, portanto, desempenhar nenhum papel no processo em curso para a descolonização do Saara Ocidental", aponta a nota. EFE sk/db

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