Frente Polisário rejeita negociar com Marrocos com mediação de Van Walsum

Argel, 29 jul (EFE).- O primeiro-ministro da autoproclamada República Árabe Saaráui Democrática (RASD), Abdelkader Taleb Omar, ressaltou hoje em Argel a disposição do Governo de retomar as negociações com o Marrocos, mas sem a presença do mediador da ONU, Peter van Walsum, devido à sua posição favorável a uma das partes.

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Em discurso durante um encontro entre deputados argelinos e saaráuis, Taleb Omar indicou que a Frente Polisário concordou em participar de uma quinta rodada de negociações sob os auspícios das Nações Unidas.

"Mas sem a participação de Van Walsum, já que sua tomada de posição a favor das teses marroquinas é conhecida por todos e é inaceitável", acrescentou.

"Não precisamos de um mediador da ONU que quer legitimar a ocupação e rejeitamos sua manutenção nas negociações", destacou.

O primeiro-ministro indicou que ainda não há nada decidido sobre a data da quinta rodada de negociações com o Marrocos, que ambas as partes acordaram em realizar ao término da quarta rodada e lembrou que o povo saaráui está "mais determinado do que nunca a recuperar seus direitos, sejam quais forem as pressões".

"Um período de 33 anos é suficiente para provar ao mundo a rejeição do povo saaráui à ocupação marroquina e seu compromisso com seu direito de autodeterminação", ressaltou.

Além disso, destacou que "a continuação da ocupação prejudica o Marrocos, que gastou cerca de US$ 90 bilhões em mantê-la durante 33 anos", além de "bloquear a edificação do magrebe árabe".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, confirmou em 18 de julho que o diplomata holandês Van Walsum continua sendo o enviado especial da organização para o Saara, apesar da oposição da Frente Polisário à sua permanência no cargo.

A afirmação foi feita pela porta-voz da ONU, Marie Okabe, em resposta a perguntas da imprensa sobre a possível substituição de Van Walsum, após a estagnação das negociações entre Marrocos e o Polisário iniciadas em 2007.

"O status do senhor Van Walsum não mudou, continua sendo o enviado especial do secretário-geral e faz parte da consideração dos próximos passos que devem ser dados", disse a porta-voz.

Okabe destacou que "não há nada de novo a informar" sobre as negociações após o relatório oferecido em abril pelo secretário-geral e a posterior intervenção de Van Walsum perante o Conselho de Segurança.

O enviado especial aconselhou então a Frente Polisário a aceitar a realidade de que não há pressão internacional suficiente sobre o Marrocos que permita a independência da ex-colônia espanhola.

A declaração de Van Walsum causou indignação no seio do movimento independentista saaráui, cujos dirigentes questionaram a imparcialidade do holandês ao fazer públicas suas opiniões pessoais sobre o conflito. EFE jg/db

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