Frente das Farc quer negociar com generais colombianos, diz jornal

Miami, 20 jul (EFE).- A Frente 53 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), comandada pelo rebelde conhecido como Mono Jojoy, está disposta a negociar com generais colombianos, informa hoje o jornal americano El Nuevo Herald.

EFE |

Na edição desta sábado, a publicação traz uma reportagem assinada pelo jornalista Steve Salisbury, que disse ter entrevistado recentemente o "comissário político-militar" da Frente 53 nas montanhas de Sumapaz, 80 quilômetros ao sul de Bogotá.

O rebelde, identificado apenas como "N" e conhecido como "comandante substituto", manifestou a Salisbury a disposição de seu grupo de estabelecer "contatos diretos de boa-fé" com as autoridades colombianas.

"Uma maneira de falar com o Governo (colombiano) seria contatando generais", da reserva ou da ativa, que tenham autorização expressa do Executivo, declarou "N" ao "Nuevo Herald", de Miami.

As Farc prefeririam conversar com generais "patriotas, honestos e não corruptos", que tenham participado diretamente do conflito, a falar com "políticos mentirosos", acrescentou o líder rebelde, com uma trajetória de 35 anos na guerrilha.

A Frente 53 é comandada pelo atual segundo homem na hierarquia das Farc, Jorge Briceño Suárez, mais conhecido como "Mono Jojoy" e considerado o chefe militar da organização, hoje controlada por "Alfonso Cano".

A entrevista, segundo o jornal americano, aconteceu "no fim de junho", ou seja, antes da operação militar que resgatou a franco-colombiana Ingrid Betancourt e mais 14 reféns.

Porém, destaca o "Nuevo Herald", dez dias depois da libertação do grupo, a Frente 53 reiterou sua disposição em negociar em um comunicado enviado pela guerrilha por meio do missionário americano Russell Martin Stendal.

Stendal atua distribuindo exemplares da Bíblia aos guerrilheiros, paramilitares e tropas do Governo com os quais cruza durante suas missões pastorais por regiões isoladas da Colômbia.

O missionário disse a Salisbury que "N" e outros guerrilheiros da Frente 53 das Farc consideram interlocutores aceitáveis os generais reformados Carlos Alberto Ospina e Jorge Enrique Mora, além dos ex-comandantes das Forças Armadas Reynaldo Castellanos e Gabriel Díaz, entre outros.

Procurados por Salibury, o brigadeiro Díaz disse que a proposta lhe parecia "viável", ao passo que um funcionário colombiano familiarizado com os temas de paz do Governo, que pediu para não ser identificado, afirmou que esta é a primeira vez que ouve uma proposta desta natureza de membros das Farc.

Em seus últimos comunicados, a direção das Farc manifestou sua rejeição a um diálogo com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, e disse que prefere se reunir com o chefe de Estado da Nicarágua, Daniel Ortega, para falar da "guerra e da paz" na Colômbia. EFE ar/sc

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