Freiras que cuidam de italiana em coma pedem para permanecer com ela

Roma, 15 nov (EFE).- As freiras que há 14 anos cuidam da italiana Eluana Englaro, de 37 anos e em estado vegetativo, pediram para permanecer com ela, pois a sentem viva, disseram ao jornal Il Messagero.

EFE |

As freiras da clínica Beato Luigi Talamoni, em Lecco, perto de Milão (Itália), onde a jovem está desde 7 de abril de 1994, expressam sua "disponibilidade para servir hoje e sempre a Eluana".

A irmã Misericordia diz que as freiras não pedem "nenhuma mudança, só o silêncio e a liberdade de amar e dar aos fracos, às crianças e aos pobres".

Sóror Rosangela, responsável pela higiene pessoal de Eluana, relata que "a cada duas horas é preciso trocá-la de posição, e uma vez ao dia" é necessário ele é colocada "em uma cadeira de rodas durante duas horas".

Segundo sóror Rosangela, "a alimentação e a hidratação, assim como a administração de remédios, é feita através de uma sonda nasogástrica".

Nada mudou em 14 anos e nada deve mudar para as freiras "nestas horas difíceis, nas quais esperar parece impossível". As religiosas afirmam que "a esperança é não ver Eluana morrer por fome ou sede nas condições em que está".

No último dia 13, a Corte Suprema italiana autorizou a interrupção da alimentação a Eluana, que está em estado vegetativo há 17 anos devido a um acidente de trânsito, após uma longa luta judicial nesse sentido empreendida pelo pai da mulher, Giuseppe Englaro.

O pai de Eluana não enviou ainda o escrito para levá-la a uma instituição onde será retirada a sonda que a alimenta.

Segundo o jornal "Il Messagero", ele tomará esta medida nos próximos dias. Disponibilizará uma ambulância, um médico e uma enfermeira que atenderão Eluana na viagem.

Vários hospitais de Udine, onde o pai da jovem queria interná-la, negaram-se a recebê-la.

No entanto, hoje o assessor de Saúde da região de Friuli Veneza Giulia (norte), Vladimir Kosic, afirmou que "estão prontos para receber Eluana como a todos" e que "não se nega o pão e a água a ninguém" nesses hospitais.

A decisão do tribunal sobre este caso dividiu a opinião italiana.

A Igreja Católica e o mundo da ciência, os políticos conservadores e a esquerda progressista, e o resto da opinião pública mostram profundas divergências sobre o "direito de morrer". EFE cps/fh/an

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