Frei compara a candidatura de Piñera à ditadura militar no Chile

Santiago do Chile, 8 jan (EFE).- O aspirante governista à Presidência do Chile, Eduardo Frei, comparou hoje a plataforma política de apoio da candidatura de seu opositor, o empresário Sebastián Piñera, com a ditadura de Augusto Pinochet.

EFE |

"O país conhece perfeitamente a candidatura de direita e sua relação com a ditadura. Aqui não estamos ofendendo ninguém. Isso é uma realidade. Os chilenos terão de julgar", assinalou o também senador democrata-cristão em um encontro com correspondentes estrangeiros.

"No decorrer da campanha eles sempre disseram que a Concertação está esgotada, que governou 20 anos. Eles estiveram no poder 17 anos. Eu acho que o Chile foi muito melhor com a Concertação que nos 17 anos que eles estiveram", enfatizou.

O candidato de centro-esquerda, que em 17 de janeiro enfrenta no segundo turno, o direitista da Coalizão pela Mudança, aconselhou "revisar a lista de todos os principais dirigentes da direita e os cargos que ocuparam na ditadura".

"Aqui todos nos conhecemos, é uma realidade que o tema esteja presente, por isso o candidato (Sebastián Piñera) disse ontem que possivelmente não iria incorporar ao gabinete nenhuma pessoa que esteve no Governo da ditadura".

"Certamente isso não irá ocorrer, porque a grande maioria deles, os parlamentares, os dirigentes políticos, foram subsecretários, chefes de serviço, prefeitos e intendentes" no regime militar.

Com relação ao fato de encobrir as violações aos direitos humanos cometidos durante a ditadura o ex-presidente Frei (1994-2000) ressaltou que o "Chile não pode aceitar uma lei de anistia, nem um ponto final no assunto".

"Apesar das dificuldades e da lentidão do processo, nos últimos anos o Chile foi avançando nos quesitos verdade e justiça", ressaltou o candidato da Concertação.

Ao contrário de outros países que também sofreram com ditaduras, no Chile há 300 condenados por estes crimes e inclusive o chefe da polícia secreta de Augusto Pinochet, Manuel Contreras, que ficarão presos por toda a vida.

O ex-presidente destacou que durante seu Governo o Chile experimentou "os maiores avanços em matéria de inserção internacional de toda a sua história".

"Ninguém pode contestar que o Chile cresceu mais no plano social, econômico e institucional que com os Governos da Concertação", enfatizou Eduardo Frei, quem lembrou que o país é líder em renda per capita e índice de desenvolvimento humano na América Latina.

Se for eleito, disse, impulsionará os acordos com os países da região, "porque hoje os US$ 50 bilhões dos investimentos chilenos no estrangeiro estão na América Latina".

Mas criticou o processo de integração regional existente na América Latina, "porque nos últimos 30 anos ocorreram muitas declarações e reuniões, mas poucos avanços práticos".

"A América Latina foi perdendo presença e voz no mundo. Estamos divididos, porque não fomos capazes de enfrentar um processo de integração regional", lamentou.

Sobre os negócios de seu oponente nestas eleições - dono de uma fortuna de US$ 1 bilhão e principal acionista da LAN, o clube de futebol Colo Colo e do canal "Chilevisión" - Frei comentou que quando um homem de negócios entra na política deve vender sua participação nas empresas, como ele fez em 1987.

"Não se trata de desqualificar. Penso no candidato (Sebastián Piñera) que é dono de um canal de televisão. Isso é possível em outros países?", se questionou.

Convencido que vencerá em 17 de janeiro, apesar de no primeiro turno ter ficado 14 pontos de Piñera, o ex-presidente comentou que se não foram realizadas pesquisas de segundo turno é porque a disputa está acirrada.

"As eleições são vencidas com votos até o último dia e estamos trabalhando para isso", ressaltou.

Além disso, o Frei lembrou que nos últimos dias recebeu o apoio de setores progressistas, como da coalizão "Juntos podemos fazer mais" e de prefeitos próximos a Marco Enriquez-Ominami, o aspirante independente.

"Fomos somando não só pessoas, mas propostas e ideias", entre as que Frei citou a reforma tributária, a recuperação do direito de água e especialmente a reforma de uma "Constituição autoritária, vertical e centralista que impede as grandes transformações que o Chile necessita". EFE mf/dm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG