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Fred Vargas: Processo contra Cesare Battisti foi falso do início ao fim

Paris, 20 fev (EFE).- A romancista francesa Fred Vargas afirmou que o processo contra Cesare Battisti, ex-membro das Brigadas Vermelhas italianas e refugiado político no Brasil, foi falso do princípio ao fim, em entrevista publicada hoje pelo jornal Le Monde.

EFE |

"A injustiça é patente", declarou a autora de "Un peu plus loin sur la droite", que afirma que defender o ex-brigadista "não é ignorar as vítimas", que não serão ajudadas pela prisão de "falsos culpados".

Cesare Battisti, de 53 anos, foi membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), um braço das Brigadas Vermelhas muito ativo na Itália nos anos 70 e responsabilizado por diversos atentados.

Em 1993 foi julgado à revelia na Itália e condenado a prisão perpétua como suposto autor dos assassinatos de Antonio Santoro, Lino Sabbadin, Andrea Campagna e Pierluigi Torregiani.

"Pela primeira vez em cinco anos um ministro da Justiça, o do Brasil, dedicou tempo para examinar documentos irrefutáveis e concluiu que o processo italiano que tinha condenado Battisti estava viciado", declarou a escritora, que afirmou que nunca "defendeu a luta armada".

Vargas acrescentou que "muitos elementos permitem duvidar da culpabilidade de Battisti: ausência de prova material, ausência de testemunha ocular confiável, uso 'exclusivo' de testemunhos de arrependidos...".

O italiano, refugiado na França desde 1990, sempre negou sua responsabilidade nos episódios pelos quais foi condenado na Itália.

Há quatro anos perdeu o direito a sua condição de asilado político na França, fugiu deste país e seu paradeiro era desconhecido até que foi detido no Rio de Janeiro, em uma operação coordenada entre as autoridades de Brasil, Itália e França.

A Itália solicitou a extradição de Battisti, que recebeu o estatuto de refugiado do Governo brasileiro há pouco mais de um mês, em uma polêmica decisão que inclusive azedou as relações entre Brasil e Itália.

"Ninguém conhecia seu nome antes que (o presidente do Governo italiano, Silvio) Berlusconi tivesse a ideia 'eleitoral' de reivindicar em 2004 cerca de 20 refugiados" ao então presidente da França, Jacques Chirac, declarou Vargas. EFE jaf/fal

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