Fraternidade São Pio X se distancia do bispo negacionista Williamson

A fraternidade integrista São Pio X se distanciou nesta segunda-feira das afirmações negacionistas de Richard Williamson, ao informar que o bispo britânico não dirige mais o seminário de La Reja, que fica 40 km ao oeste de Buenos Aires.

AFP |

"As afirmações do monsenhor Williamson não refletem de modo algum a posição de nossa congregação", afirmou na França o superior da fraternidade para a América do Sul, Christian Bouchacourt, em um comunicado divulgado pela agência argentina DYN.

"É evidente que um bispo católico não pode falar com autoridade eclesiástica a não ser sobre matérias que dizem respeito à fé e à moral. Nossa fraternidade não reivindica nenhuma autoridade sobre outras questões", conclui o texto.

A anulação pelo Papa Bento XVI da excomunhão de Williamson em 24 de janeiro - ao lado de outros três bispos integristas - provocou indignação em vários países e gerou uma crise que ameaça as relações do Vaticano com a comunidade judaica.

A chanceler alemã Angela Merkel pediu explicações ao Vaticano.

Williamson declarou recentemente acreditar que não existiram câmaras de gás e que morreram de 200.000 a 300.000 judeus nos campos de concetração nazistas, negando portanto o número oficial de seis milhões de judeus assassinados na II Guerra Mundial.

Diante das críticas, o superior geral da comunidade integrista da fraternidade São Pio X, Bernard Fellay, pediu perdão ao Papa pelas declarações de Williamson e proibiu o bispo de tomar uma posição pública sobre questões políticas ou históricas.

Agora, a fraternidade foi além e privou Williamson da direção do seminário na Argentina.

O Vaticano, que alega que o Papa ignorava as declarações do bispo britânico sobre o Holocausto quando suspendeu a excomunhão, ordenou semana passada que Williamson se distanciasse "de forma pública e inequívoca" dos comentários.

No entanto, em uma entrevista à revista alemã Der Spiegel, Williamson se negou a fazer uma retratação e disse que primeiro deve estudar as "provas" históricas.

"Se eu encontrar provas, então retificarei o que disse", afirmou o bispo. "Mas isso tudo leva tempo", afirmou o bispo de 67 anos.

Na entrevista, Williamson declarou ter feito investigações nos anos 80 sobre o tema e, "por esta razão", estar "convencido da exatidão" de sua posição.

ial/fp

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