Francesa condenada por sequestro no México diz não ter mais esperanças

Me tiraram a última esperança, disse Florence Cassez, uma francesa de 34 anos, presa no México por sequestro, ao saber que a apelação da sentença serviu apenas para reduzir a pena de 96 para 60 anos em regime fechado.

AFP |

"Não consigo entender. No dia 8 de março já serão três anos e três meses que roubaram da minha vida. Agora, com isso, já não tenho esperanças", lamentou Cassez, que da prisão deu esta entrevista à AFP, horas depois de saber a decisão da corte.

Ouvida sobre a possibilidade de entrar com mais um recurso, a francesa respondeu em tom angustiado, citando sobre seu mau estado de saúde.

"Para o recurso eu precisaria esperar mais um ano... Francamente, eu não suportaria mais um ano. Estou em tratamento há 15 dias, de tão estressada que estou. Meu corpo não aguenta, tenho um grande problema de saúde, que afeta meu corpo todo", explicou.

Cassez foi detida em dezembro de 2005, em um rancho no estado de Morelos, no centro do México, onde três pessoas eram mantidas reféns pela quadrilha "Los Zodiaco".

O bando era liderado pelo mexicano Israel Vallarta, seu namorado na época.

A francesa, no entanto, insiste que nunca teve nada a ver com os crimes cometidos por Vallarta e seus cúmplices, e que sequer sabia do envolvimento do namorado com uma quadrilha.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, chega à Cidade do México neste final de semana para uma visita oficial, e o Eliseu já anunciou que o caso de Florence Cassez estará na agenda de seu encontro com o presidente mexicano, Felipe Calderón.

Luc Chatel, porta-voz do governo francês, disse nesta quarta-feira que Sarkozy "deve tratar novamente deste tema" no México, e que o objetivo do governo é a transferência de Cassez para seu país natal.

"Já não sei no que acreditar. Minha primeira reação foi pensar por quê esta decisão (sobre a apelação de sua sentença) ocorre a quatro dias da chegada do presidente", contou Cassez.

"Definitivamente, acredito de verdade que esta foi uma decisão política. Está claro para mim que não estudaram meu caso, jamais o estudaram", acrescentou.

A francesa está convecida de que seu "grande erro" foi ter desmentido publicamente a Procuradoria Geral do México sobre as condições de sua prisão, reencenada 24 horas depois diante das câmeras da imprensa - o que só foi admitido dois meses depois pelas autoridades.

Uma vez presa, Florence Cassez denunciou a montagem e afirmou ser inocente.

"Eu contei que me bateram, que me prenderam por um dia inteiro dentro de um caminhão, que me maltrataram... Jamais pensei que estivesse sendo filmada com tudo transmitido ao vivo", contou.

gv/ap/sd

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