França vai voltar a treinar tropas afegãs apesar de ataque

Nicolas Sarkozy anunciou que seu país antecipará a retirada de suas tropas do Afeganistão e vai sugerir à Otan que faça o mesmo

iG São Paulo |

Os soldados franceses vão voltar a treinar as tropas afegãs a partir de sábado, mas Paris vai retirar a maior parte de suas forças do país ao fim de 2013, informou nesta sexta-feira o presidente Nicolas Sarkozy, depois de encontrar Hamid Karzai.

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AP
Presidente afegão Hamid Karzai cumprimenta líder francês Nicolas Sarkozy no palácio Elysée, em Paris

A retirada dos franceses, que somam atualmente 3,6 mil soldados no país, vai ocorrer um ano antes do prazo estabelecido pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Sarkozy já havia alertado para a possibilidade de acelerar a retirada do país após a morte de quatro militares franceses por um soldado afegão.

O presidente francês disse que, ao lado do líder afegão, vai pedir à Otan que entregue toda a atividade militar para as tropas do Afeganistão em 2013. Sarkozy disse que seu país informou o presidente americano, Barack Obama, sobre seu planos e apresentará essa ideia de retirada total antecipada em uma reunião de ministérios da defesa da Otan no começo de fevereiro.

A França quer trazer de volta 1 mil de seus soldados somente esse ano, deixando apenas poucas centenas após 2013.

A decisão foi tomada levando em conta a opinião da população francesa, a poucos meses da eleição. De acordo com a BBC, em uma pesquisa divulgada na quinta-feira, 84% dos franceses disseram apoiar a retirada total das tropas até o final desse ano.

Leia também: De olho nas eleições, Sarkozy reconhece erros de seu mandato

A França gasta aproximadamente 500 milhões de euros (R$ 1,14 bilhão) por ano no Afeganistão.

O governo francês havia suspendido as operações de treinamento das forças afegãs há uma semana, após um soldado do país ter matado quatro franceses a leste do Afeganistão. A Otan informou na ocasião que o agressor foi detido.

Sarkozy chamou o ataque de "inaceitável" e disse que estudaria a hipótese de antecipar a retirada das tropas francesas do país. "As Forças Armadas da França estão ao lado de seus aliados, mas não podemos aceitar que um soldado seja morto ou ferido por nossos aliados", declarou Sarkozy.

Com AP e BBC

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