O ministro francês da Defesa, Hervé Morin, anunciou nesta quarta-feira que a França reduzirá a capacidade de posicionamento dos soldados franceses no exterior, o que terá conseqüências sobre o formato do exército.

"Quem pode pensar que nos 15 ou 20 próximos anos - desde a queda do Muro de Berlim, o desaparecimento do Pacto de Varsóvia e a ampliação da União Européia - poderíamos ser levados a projetar 50.000 homens num cenário de operações centro-europeu?", indagou Morin ao encerrar o 15º encontro parlamentar "Paz e Defesa" na França.

Segundo o "contrato operacional" definido pela atual Lei de programação militar 2003-2008, o exército francês deve poder mobilizar, entre outras, uma força terrestre de 50.000 homens, um grupo aeronaval (o porta-aviões e sua escolta) e uma força aérea de 100 aviões de combate com os aparelhos de abastecimento correspondentes.

Sem especificar os novos objetivos, o ministro da Defesa destacou que o presidente Nicolas Sarkozy já tomou "parcialmente" suas decisões.

"Ser capaz de projetar 30.000 ou 40.000 homens num cenário mediterrâneo não faz da França uma potência militar de segunda categoria", sustentou Morin.

"Desde 1956 e a crise do canal de Suez, nunca projetamos mais de 30.000 homens. A França mobilizou pouco mais de 10.000 homens para a operação Daguet", durante a guerra do Golfo (1990-1991), afirmou.

No exterior, a França só atua "num sistema de coalizão ou de aliança, com base nas resoluções das Nações Unidas", argumentou o ministro.

A França possui atualmente cerca de 11.000 militares mobilizados no exterior, sobretudo no Afeganistão, no Líbano e no Chade.

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