França tenta aproximação com Cuba enviando emissário

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, enviou a Cuba um emissário especial, o ex-ministro socialista Jack Lang, para tentar estabelecer uma relação exemplar e nova com a ilha comunista, que acaba de ser novamente criticada por Washington pela situação dos direitos humanos.

AFP |

Esta visita de Jack Lang, iniciada há alguns dias e de duração indeterminada, só foi anunciada nesta quarta-feira pela presidência francesa, mas foi ignorada pela imprensa cubana até agora.

Lang deve se encontrar ainda hoje com o presidente Raúl Castro, depois de ter tido uma reunião de três horas com o ministro das Relações Exteriores, Felipe Perez Roque, na segunda-feira.

De acordo com a Comissão Europeia, esta visita de Lang se inscreve em um processo de normalização das relações entre a União Europeia (UE) e Cuba, confirmado na semana passada pela visita do chanceler irlandês, Michael Martin, a primeira de um ministro europeu desde a retomada da cooperação entre a UE e Cuba, em agosto passado.

A cooperação fora suspensa em 2003 pelo ex-presidente Fidel Castro para protestar contra as sanções decididas pela UE contra a ilha comunista, que acabava de prender 75 dissidentes, 50 dos quais ainda estão atrás das grades.

"Meu papel consiste em dizer que a França, em seu aspecto bilateral, e não apenas europeu, deseja estabelecer uma relação fluida, tranquila, sem preferência formal e sem protocolo das duas partes, e tentar construir com Cuba uma relação exemplar e nova", declarou por telefone à AFP Jack Lang, que nos anos 80 serviu de intermediário entre Fidel Castro e o presidente francês da época, François Mitterand.

"Queremos estabelecer com Cuba relações intensas nos âmbitos econômico, político e cultural", prosseguiu, afirmando que a França "continuará defendendo o retorno da cooperação com os europeus e os americanos, para caminhar na direção de uma suspensão do embargo".

"Desejamos transformar os direitos humanos em um tema de cooperação", destacou, num momento em que um relatório do Departamento de Estado americano publicado nesta quarta-feira afirma que a situação dos direitos humanos piorou em 2008 sob a presidência de Raúl Castro.

"Há um início de transição em Cuba, e é um bom momento para relançar a relação franco-cubana. A UE acaba de retomar uma cooperação com os cubanos, e os Estados Unidos ainda estão pensando em sua posição", explicou um dirigente francês, que não quis ser identificado.

bur/yw

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