França tenta adiar julgamento por crimes da ditadura chilena

PARIS (Reuters) - O Ministério Público da França solicitou na terça-feira o adiamento do julgamento de 17 chilenos acusados de envolvimento na desaparição de quatro cidadãos franceses durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-90), disseram fontes da promotoria. O julgamento, com forte teor político, deveria começar em 19 de maio, mas o pedido da promotoria pode na prática impedi-lo.

Reuters |

O Ministério Público disse em nota que o julgamento precisava ser adiado devido à dificuldade em levar testemunhas do exterior para deporem na França. A nota não sugere outra data.

Os 17 réus, a maioria ex-militares, foram processados por 'detenção arbitrária acompanhada ou seguida de tortura e atos bárbaros' nos primeiros dois anos da ditadura chilena.

Pinochet, que também havia sido implicado na desaparição de quatro cidadãos franceses e franco-chilenos, morreu em dezembro de 2006, sem nunca ser julgado.

Todos os réus no caso deveriam ser julgados à revelia (ausentes). Entre eles está o general Manuel Contreras, que foi diretor da Dina (polícia secreta), e Paul Schaffer, líder de uma comunidade rural chilena que, segundo a oposição, era usada como centro de torturas.

Os quatro desaparecidos eram um ex-assessor do presidente Salvador Allende, deposto no golpe de 1973, um padre e dois militantes do Movimento de Esquerda Revolucionária.

(Reportagem de Gerard Bon)

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