PARIS (Reuters) - A França sinalizou nesta terça-feira que pode manter conversações com o Hamas mesmo se o grupo palestino não reconhecer Israel, algo que Paris e outras potências ocidentais exigem há anos. O quarteto de negociadores para o Oriente Médio -- Estados Unidos, União Européia, Organizações das Nações Unidas (ONU) e Rússia -- já havia afirmado que não haverá acordo com o Hamas até que o grupo reconheça Israel, renuncie à violência e aceite os atuais acordos de paz.

O porta-voz do ministério do Exterior francês Eric Chevallier, no entanto, afirmou que a renúncia à violência é a mais importante dessas três condições, em uma aparente mudança de posição da França.

"Repetimos que os elementos do quarteto estão definidos. Obviamente, há um elemento absolutamente importante, que é a renúncia à violência", disse Chevallier em entrevista coletiva.

Quando perguntado se a França está deixando de ver o reconhecimento de Israel como uma precondição, ele falou: "eu não disse que isso não é uma precondição". No entanto, ele repetiu a frase anterior, sugerindo que a renúncia à violência é mais importante que as outras condições.

O Hamas tomou em 2007 o controle da Faixa de Gaza das forças do Fatah, do presidente palestino Mahmoud Abbas, após ter ganho as eleições um ano antes. Israel e países do Ocidente boicotaram governos liderados pelo Hamas porque o grupo rejeita o direito de Israel a existir.

Abbas, cujo grupo controla a Cisjordânia, pediu um governo de união nacional para a Palestina que abra caminho para eleições, poucos dias após a ofensiva de 22 dias de Israel contra Gaza, que matou mais de 1,3 mil pessoas.

(Reportagem de François Murphy)

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