França se diz determinada a libertar todos os reféns das Farc

Quito, 29 abr (EFE).- O ministro das Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, reiterou hoje em Quito a determinação de seu Governo de conseguir a libertação de todos os reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e especialmente a de Ingrid Betancourt.

EFE |

Em entrevista coletiva antes de deixar Quito, Kouchner indicou que seu país quer "aplacar" as tensões entre Colômbia, Equador e Venezuela para conseguir um ambiente que facilite a libertação dos seqüestrados pelas Farc.

O chanceler da França visitou hoje Quito para tratar com o presidente equatoriano, Rafael Correa, o eventual reatamento dos contatos para conseguir a libertação dos seqüestrados, entre eles Betancourt, ex-candidata à Presidência da Colômbia e que também tem nacionalidade francesa.

Segundo o ministro francês, além de falar dos seqüestrados, Correa lembrou mais uma vez da necessidade de respeitar os direitos humanos, e comentou sobre o desenvolvimento e a luta contra a pobreza na Colômbia.

Amanhã, Kouchner viajará a Caracas, onde deve se reunir com o governante venezuelano, Hugo Chávez, que realizou um papel de mediador com as Farc, no qual foi alcançada recentemente a libertação de seis ex-congressistas reféns.

O responsável da diplomacia francesa afirmou que leva a suas reuniões com Uribe, Correa e Chávez uma mensagem de "compressão", porque cada um dos três países "tem direito à segurança e à soberania".

Para ele, o mais importante agora é obter um "esforço combinado" para a libertação dos seqüestrados pelas Farc, e assegurou que seu país continuará se esforçando até conseguir um "acordo humanitário".

"O acordo humanitário significa em primeiro lugar que os reféns civis, todos os reféns, sejam libertados", afirmou o ministro francês, para quem "não há um só motivo político" que justifique a continuidade desses seqüestros por parte da guerrilha.

No entanto, Kouchner reconheceu que após a morte do porta-voz internacional das Farc, conhecido como "Raul Reyes", em uma operação militar colombiana contra um acampamento da guerrilha no Equador, no dia 1º de março, seu país "perdeu os contatos e agora busca por outros interlocutores".

O ministro francês afirmou que encontrou "compreensão", mas " não contatos" em sua passagem por Bogotá e Quito, e, por isso, continuará trabalhando neste sentido amanhã em Caracas.

Kouchner se opôs categoricamente a uma "solução militar" para a libertação dos seqüestrados, pois isso "os condenaria" e representaria "um risco maior" que a atual situação em que vivem.

O ministro francês também reconheceu que não sabe qual é o atual estado de saúde de Betancourt, pois foram recebidas "informações contraditórias", tanto que assinalavam que ela estava "muito mal" como que diziam que "seu estado não era tão grave".

O ministro de Segurança do Equador, Gustavo Larrea, disse, após uma reunião com Kouchner, que Quito e Paris "apostam" em um acordo humanitário para a libertação dos seqüestrados, vítimas do que qualificou de "crime execrável".

O equatoriano destacou que França e Equador acreditam que é preciso insistir com as Farc na "necessidade" de libertarem "todos os seqüestrados".

Como parte de sua agenda, o ministro francês almoçou com a chanceler equatoriana, María Isabel Salvador, e se reuniu com o ministro de Governo, Fernando Bustamante, antes do encontro com Correa.

Uma fonte diplomática equatoriana assinalou que foi discutido o conflito diplomático entre Equador e Colômbia e analisadas possíveis soluções para o restabelecimento das relações entre os dois países, congeladas há dois meses. EFE cho/mh

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG