França revê estratégia para libertar Betancourt

Paris, 9 abr (EFE).- A França anunciou hoje que continuará se empenhando para libertar Ingrid Betancourt mesmo depois de as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) terem rejeitado a missão humanitária enviada à selva colombiana há uma semana para prestar atendimento médico à refém e a outros cativos doentes.

EFE |

O ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, disse que o país tentará continuar com a missão "de uma forma ou de outra" e adiantou que viajará para a região "em um futuro bastante próximo para uma estratégia que sem dúvida será diferente" da que acaba de fracassar.

O ministro francês não especificou quando viajará, nem como tentará conseguir a libertação de Betancourt, refém há mais de seis anos e uma prioridade do presidente da França, Nicolas Sarkozy, desde que assumiu o cargo, há quase um ano.

Ainda não se sabe quando a missão humanitária organizada por França, Espanha e Suíça voltará para território francês.

A missão chegou a Bogotá na quinta-feira e ficou na cidade o tempo todo, aguardando uma resposta das Farc.

O embaixador Thomas Greminger, representante do Ministério de Assuntos Exteriores da Suíça, considerou hoje que, apesar do fracasso da tentativa de atendimento a Ingrid Betancourt, era necessário correr tal risco e disse que continuará tentando um acordo com as Farc.

"O processo tem altos e baixos. É preciso ser paciente e não se deixar desanimar pelo fracasso desta missão", declarou o diplomata suíço.

As Farc anunciaram na terça-feira em comunicado que a missão "não é procedente" porque não foi previamente acordada com a guerrilha e afirmaram que foi resultado da "má fé" do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, perante o Palácio do Eliseu.

A chefia da guerrilha disse que a morte de um dos líderes dos rebeldes, "Raúl Reyes", em uma operação militar colombiana em território equatoriano no dia 1º de março feriu "mortalmente a esperança do acordo humanitário" para a troca de reféns por guerrilheiros presos.

Para negociar essa troca de quase 40 seqüestrados, incluindo Betancourt, por 500 guerrilheiros presos, as Farc exigem que Uribe desmilitarize os municípios de Pradera e Florida, algo que o Governo colombiano se recusa a fazer.

Diante da rejeição dos rebeldes à missão médica, Paris anunciou na terça-feira a saída de Bogotá do grupo de assistência e a futura viagem de Bernard Kouchner à região para "reavaliar a situação" com os dirigentes dos países envolvidos.

É provável que o ministro visite pelo menos Colômbia e Venezuela, dado o papel-chave que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, teve na libertação de seis reféns das Farc em janeiro e fevereiro.

A porta-voz do ministério de Assuntos Exteriores francês se limitou a dizer que o país "explora todos os caminhos possíveis para obter a libertação dos reféns".

Em entrevista coletiva concedida na terça-feira antes de as Farc recusarem a presença da missão humanitária, Kouchner declarou que se essa estratégia fracassasse, seria preciso inventar "outra coisa".

"É preciso repensar a estratégia" e "refletir sobre novos rumos de trabalho", disseram fontes francesas à Agência Efe.

Pessoas próximas a Betancourt receberam a rejeição das Farc como um novo golpe.

O ex-marido da refém e pai de seus dois filhos, Fabrice Delloye, agradeceu França, Espanha e Suíça pelo envio da missão, mas declarou à Agência Efe que é "uma imensa decepção que as Farc não tenham respondido à mão estendida" pelos três países.

Delloye ainda disse que esta rejeição é "ainda mais difícil" pelo fato de que as Farc não informaram em sua nota sobre o estado de saúde da refém.

O ex-marido disse que, diante das atitudes da guerrilha, a "única esperança" é se voltar para o presidente colombiano.

Ele defendeu que "todos" os chefes de Estado digam a Uribe para que aceite negociar com as Farc em Pradera e Florida, onde observadores ou uma força internacional de paz poderiam agir para "resolver esta crise o mais rápido possível".

Astrid Betancourt, irmã da refém, pediu o "restabelecimento de um clima de confiança" para permitir a negociação do acordo humanitário para o qual as Farc deixam "a porta aberta".

Em entrevista à Agência Efe na terça-feira, Astrid declarou que "é evidente que as Farc querem uma contrapartida, que está sendo estruturada atualmente" e que deve ficar a cargo de Hugo Chávez. EFE al/bba/db

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