França relança idéia de governança econômica da zona euro

O presidente francês Nicolas Sarkozy relançou nesta terça-feira a sua polêmica idéia de uma governança econômica na zona euro após a crise financeira e pediu a participação dos Estados europeus nas empresas estratégicas.

AFP |

"Não é possível que a zona euro continue sem um governo econômico claramente identificado", declarou em um discurso ao Parlamento europeu em Estrasburgo sobre as lições que devem ser tiradas da tempestade financeira.

Esse governo, de contornos ainda não delineados, é há vários anos uma idéia cara à França. O país defende uma liderança política da zona euro no mais alto nível, o de chefes de Estado, frente ao poder do Banco Central Europeu, instituição quase federal encarregada de administrar a moeda comum.

Até o momento, apenas os ministros das Finanças da zona se reúnem de maneira regular, todo mês, no Eurogrupo.

Mas a França criou um precedente ao realizar no dia 12 de outubro uma reunião dos chefes de Estado da zona euro em Paris para organizar um plano coordenado de resgate dos bancos de cerca de 2 bilhões de euros.

Sarkozy espera retomar a experiência. "Não podemos passar os oito próximos anos sem nos reunirmos novamente" no mais alto nível, disse durante uma entrevista coletiva à imprensa após o seu discurso.

A idéia de organizar um encontro como esse de maneira regular deve ser examinada, segundo ele. Sarkozy também mencionou a possibilidade de o presidente do Eurogrupo, o luxemburguês Jean-Claude Juncker, presidir o fórum dos chefes de Estado. Juncker é ao mesmo tempo ministro das Finanças e primeiro-ministro de seu país.

Paris havia tentado em uma primeira oportunidade na primavera (hemisfério norte) lançar sua idéia de governo econômico, mas esta não deu certo com a oposição da Alemanha, que suspeita principalmente que Paris pretenda questionar a independência do Banco Central Europeu, freqüentemente criticado no passado por suas taxas de juros muito elevadas.

Essa preocupação também foi expressada na terça-feira pela Comissão Européia. Para José Manuel Barroso, é importante "não se questionar a independência do Banco Central" com essa idéia.

Esse "governo econômico" dará, segundo Sarkozy, uma chance à zona euro de discutir uma política econômica coordenada.

Após a crise financeira, ele propôs concretamente que os Estados comprem de maneira concertada participações em empresas consideradas estratégicas que estariam em situação ruim na Bolsa, por meio de fundos soberanos, "para dar uma resposta industrial à crise". Uma receita parecida com aquela adotada com os bancos recapitalizados pelos poderes públicos.

Sarkozy ressaltou a importância para a Europa de se falar com uma "voz forte" na crise financeira.

Em relação a isso, ele anunciou a convocação em breve de uma reunião extraordinária da UE para preparar encontros mundiais no futuro sobre a reestruturação do sistema financeiro internacional, que deverão ser organizados pouco depois da eleição presidencial americana de 4 de novembro.

O chefe de Estado reafirmou seu desejo de ver as grandes economias emergentes, Brasil, China e Índia associadas às grandes potências do G8 para as reuniões mundiais.

bur/dm/sd

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