França rejeita anistia em massa para imigrantes ilegais

PARIS (Reuters) - A França concederá visto de trabalho para centenas de imigrantes ilegais analisando cada caso individualmente, mas não declarará uma anistia geral, disse o governo francês na quinta-feira. O poderoso sindicato CGT e o governo dizem que ainda transcorrem as negociações sobre o destino dos trabalhadores ilegais, alguns dos quais se encontram em greve desde a semana passada para exigir a regularização de sua situação.

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'Hoje, cerca de 800 dossiês foram submetidos, o que dá uma indicação do número (final)', afirmou o ministro francês da Imigração, Brice Hortefeux, à rádio RTL. Hortefeux disse ao jornal Le Figaro que esse não seria um processo de 'regularização em massa'.

Alguns grupos dos setores de restaurantes e hotéis dizem que haverá uma crise se o governo não tornar menos rígidas sua postura em relação aos imigrantes ilegais. O setor hoteleiro defendeu que fosse regularizada a situação de algo entre 50 mil a 100 mil trabalhadores.

Igrejas e grupos de defesa dos direitos civis sempre defenderam o fim das deportações, que aumentaram desde que o hoje presidente Nicolas Sarkozy fez do combate à imigração ilegal uma prioridade ainda quando comandava o Ministério do Interior, no governo passado.

Essas instituições também querem a adoção de regras mais claras sobre os imigrantes ilegais, mas Hortefeux disse que as medidas atuais são suficientes. Elas permitem que autoridades locais emitam vistos de trabalho para os requisitantes já empregados em setores onde há falta de mão-de-obra.

A Frente Nacional, um partido de extrema direita, opõe-se à concessão de vistos de trabalho para os imigrantes ilegais e convocou a realização de um protesto na sexta-feira a fim de criticar a requisição do setor hoteleiro.

Desde a década de 60, a França concedeu centenas de milhares de vistos de trabalho para imigrantes ilegais. Nos últimos anos, porém, o número de vistos tem diminuído.

Sarkozy criticou as anistias gerais declaradas unilateralmente por alguns países da União Européia (UE), argumentando que as fronteiras abertas do bloco significavam que a política adotada por um determinado Estado afetava os demais.

Em 2006, a Itália concedeu visto de residência para cerca de 500 mil imigrantes ilegais, ao passo que a Espanha regularizou a situação de quase 570 mil deles.

Sarkozy deseja uma padronização da política de imigração na UE, um tema que deve receber destaque quando a França assumir, em julho, a Presidência rotativa do bloco.

(Reportagem de Gerard Bon e Brian Rohan)

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