França: reforma do gabinete tem Frédéric Mitterrand como estrela do dia

Nicolas Sarkozy reuniu nesta quarta-feira, pela primeira vez, seu novo gabinete, após uma ampla reforma que, além da chegada espetacular de Frédéric Mitterrand, sobrinho do ex-presidente socialista François Mitterrand, concentra em torno do atual presidente os assessores mais fiéis e representantes da direita.

AFP |

"Há novas políticas a serem colocadas em prática, o presidente fixou as prioridades segunda-feira passada" durante discurso no Parlamento reunido em Versalhes, e elas devem permitir preparar "a saída da crise" tendo como "fio condutor a reforma", anunciou o porta-voz do governo Luc Chatel, nomeado para a Educação.

O primeiro-ministro François Fillon, pouco ouvido em relação a essas mudanças, anunciou que reuniria o novo gabinete em seminário a partir de domingo, para debater as prioridades contidas no plano financeiro anunciado segunda-feira por Sarkozy.

A nomeação do sobrinho do ex-presidente François Mitterrand, para a Cultura, foi a nota de surpresa.

Um pouco antes, durante a cerimônia de passagem do poder com a então ministra Christine Albanel, ele assegurou não querer chegar "como um Tarzã" e "dizer 'vamos resolver tudo logo'".

François Mitterrand fazia referência a um dossiê "quente" de seu ministério, uma lei punindo a pirataria na música e nos filmes na internet, parcialmente censurada no dia 10 de junho pelo Conselho Constitucional. Um novo texto foi apresentado nesta quarta, durante este Conselho de Ministros.

Sua chegada ao governo foi muito comentada nesta quarta-feira pela imprensa.

Frédéric Mitterrand, politicamente indefinido, aderiu no passado aos radicais de esquerda, ligados aos socialistas, antes de apoiar o ex-presidente de direita Jacques Chirac.

Um fiel entre os fiéis de Nicolas Sarkozy, Brice Hortefeux, chega ao ministério do Interior, no lugar de Michèle Alliot-Marie, que vai para o ministério da Justiça, onde substitui Rachida Dati.

Os ministros da Economia Christine Lagarde e das Relações Exteriores Bernard Kouchner vindos da esquerda, ficam em seus cargos.

Uma das vítimas da reforma é a paridade: o governo trabalha com 13 mulheres e 25 homens; elas são apenas quatro ministras de pleno exercício (contra 14 homens). As demais são secretárias de Estado.

A saída de Rachida Dati e a passagem de Rama Yade da secretaria de Estado dos Direitos do Homem para a mais subalterna, dos Esportes, aparece como uma redução da diversidade no novo governo, apesar da chegada de Nora Berra, de origem argelina, à secretaria de Estado "encarregada dos idosos" e de Marie-Luce Penchard, de Guadalupe, ao departamento de Ultramar.

bur-alm/sd

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