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França reforçará orgulho de ser francês

Piedad Viñas Paris, 8 fev (EFE).- A França criará uma nova carteira de jovem cidadão, impulsionará a educação cívica e fixará novas normas de integração de estrangeiros para reforçar o conceito de identidade nacional e cultivar o orgulho de ser francês, anunciou hoje o primeiro-ministro francês, François Fillon.

EFE |

Essas são apenas as primeiras medidas que serão tomadas no polêmico debate de identidade nacional lançado há três meses, quando se fez a todos os cidadãos a pergunta sobre o que significa ser francês hoje em dia.

Longe de dá-lo por concluído, apesar das inúmeras críticas que gerou entre todas as forças políticas, o Governo quer "aprofundar" ainda mais esse debate e tomar novas medidas.

De fato, como anunciou o primeiro-ministro, será criada uma "comissão de personalidades", entre as quais se incluirão parlamentares, intelectuais e historiadores. A comissão se encarregará de acompanhar a aplicação das iniciativas anunciadas hoje e elaborar outras no futuro.

"Nosso primeiro objetivo é fazer com que se conheçam melhor os valores da República", disse Fillon em entrevista coletiva após reunir boa parte de seu gabinete em um seminário ministerial dedicado a tirar conclusões das propostas sobre identidade nacional.

O segundo objetivo, acrescentou, será "cultivar o orgulho de ser francês" e o respeito aos símbolos da República. Já o terceiro será "reforçar a integração dos estrangeiros", para o qual serão destacados os valores da República ou o conhecimento da língua francesa.

Como exemplos concretos, a bandeira tricolor francesa deverá ser hasteada na fachada dos colégios e será obrigatório colocar em um lugar visível de cada sala de aula a Declaração dos Direitos Humanos e dos Cidadãos de 1789.

A isso se acrescenta a criação de uma "carteira de jovem cidadão" e o reforço da educação cívica em todos os colégios e do "contrato de amparo e integração" dos estrangeiros.

Essa carteira, de cujos detalhes não deu muitas explicações o primeiro-ministro, consiste em um documento que será distribuído a todos os estudantes franceses e aos quais acompanhará até a formatura para testemunhar um compromisso cívico com a França desde a infância.

É uma das primeiras ações de um debate tachado de eleitoreiro pela oposição diante da proximidade das próximas eleições regionais.

Esse debate é associado por alguns com a questão da imigração, especificamente com a polêmica surgida na França sobre o uso da burka, véu islâmico que cobre totalmente o corpo da mulher.

Para o Governo francês, não foi mais do que uma "etapa" de um assunto que ficou de fora durante muito tempo e sobre o qual se pronunciará o próprio presidente Nicolas Sarkozy no mês de abril, depois das eleições. Também será realizado um segundo seminário ministerial, cuja data ainda não foi definida.

Fillon insistiu em ressaltar que já "não é uma questão tabu, é uma questão republicana".

E é que, segundo o líder, "existe uma profunda reivindicação de unidade e de orgulho nacional".

Assim evidenciou o grande êxito do debate, a julgar pelo acompanhamento que teve na imprensa, o número de participantes das reuniões organizadas em todo o país em torno desta questão ou o "recorde de visitas" no site criado para que qualquer um possa expressar sua opinião.

A pesquisa encomendada e apresentada pelo ministro de Imigração e promotor do grande debate nacional, Éric Besson, revela que 74% dos franceses se sentem "orgulhosos" de sua nacionalidade e 76% consideram que existe uma "identidade francesa".

Também a maioria, 65%, considera que a identidade nacional tende a se debilitar. Além disso, 74% consideram importante valorar esse conceito de identidade.

Esses dados, que hoje foram analisados no seminário ministerial, demonstram que o debate está na sociedade, na mídia, na internet e nas discussões dos cidadãos, disse Fillon.

É preciso enfrentá-lo "de maneira natural e serena, não partidária", porque, em sua opinião, "não há nada pior que o silêncio". EFE pi/sa

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