França recebe informações sobre possíveis restos de avião com cautela

Paris, 2 jun (EFE).- A localização pela Força Aérea Brasileira (FAB) de possíveis destroços do avião da Air France desaparecido desde ontem no Oceano Atlântico foi recebida hoje na França com cautela, à espera da confirmação de que são ou não do Airbus A330 que voava entre Rio de Janeiro e Paris.

EFE |

O primeiro-ministro da França, François Fillon, declarou hoje durante a sessão de controle ao Governo da Assembleia Nacional francesa que, caso os materiais encontrados pela FAB sejam do avião da Air France, isso permitirá "reduzir a área de buscas".

"Por enquanto, nenhuma hipótese será privilegiada. Nossa única certeza é de que não houve mensagem de alerta", mas avisos automáticos durante os três minutos nos quais os sistemas da aeronave ficaram inutilizados, comentou o chefe de Governo.

Fillon informou que a França enviou dois navios à região para participar dos trabalhos de buscas.

Em entrevista à rede de televisão "France 3", o ministro da Defesa francês, Hervé Morin, explicou que um deles é o "Foudre", que zarpou de Portugal. O outro é a fragata "Ventose", que virá das Antilhas francesas, no Caribe.

O chefe do Governo francês também anunciou que um avião radar Awacs se juntará às duas aeronaves militares francesas que desde ontem participam da missão para encontrar o A330.

"Foi lançada uma luta contra o relógio em condições meteorológicas extremamente difíceis e em uma zona na qual a profundidade do mar pode chegar a sete mil metros", advertiu Fillon.

O secretário de Estado para Transportes francês, Dominique Bussereau, disse que a confirmação das informações passadas pela FAB não poderá ocorrer até que os elementos localizados sejam confrontados com o número de série do A330 da companhia aérea francesa.

No aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, onde o voo da Air France deveria ter pousado ontem, dezenas de parentes de ocupantes do avião foram reunidos por funcionários da companhia, que oferece assistência e informação.

Um forte esquema de policiamento foi organizado para garantir a privacidade dos familiares e evitar a entrada das dezenas de jornalistas concentrados no aeroporto francês.

Embora ainda não se saiba exatamente o que aconteceu com os 228 ocupantes do avião, a Assembleia Nacional francesa fez hoje um minuto de silêncio pelo desaparecimento da aeronave.

Amanhã à tarde, será organizado na catedral de Notre Dame, em Paris, um ato ecumênico também relacionado ao ocorrido com o avião da Air France.

Entre os ocupantes do avião, havia pessoas de 32 nacionalidades, principalmente franceses (72), brasileiros (59) e alemães (26), mas também chineses (9), italianos (9), suíços (6), libaneses (5), britânicos (5), húngaros (4), irlandeses (3), espanhóis (2), marroquinos (2), poloneses (2) e americanos (2).

Embora o Executivo francês não queira excluir nenhuma hipótese sobre o desaparecimento da aeronave, o ministro da Defesa do país reiterou que não há "nenhum elemento que permita corroborar" que se tratou de um ato terrorista.

Seguindo a mesma linha, Bussereau comentou que, embora não haja certezas até agora, "parece mais uma perda de controle do avião", ao mesmo tempo em que tachou de incompleta a tese de um possível impacto de um raio sobre a aeronave.

"Um simples raio não pode explicar a perda de um avião", argumentou o secretário antes de acrescentar que, caso a aeronave tivesse sido afetada por uma tempestade no Atlântico, "um conjunto de circunstâncias" seria necessário para provocar sua queda. EFE ac/bba

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