França quer que ONU defina papel dos EUA no Haiti

Paris, 18 jan (EFE).- O secretário de Estado de Cooperação francês, Alain Joyandet, afirmou hoje que a ONU deve precisar o papel dos Estados Unidos na ajuda humanitária ao Haiti, porque não se trata de ocupar o país, mas de ajudar a recuperar a vida.

EFE |

O diplomata francês fez estas declarações à emissora "Europe 1", logo após retornar do Haiti, onde o avião no qual viajava teve problemas para aterrissar no aeroporto de Porto Príncipe, controlado pelos americanos.

"A ONU está trabalhando, espero que tome uma decisão. Espero que as coisas sejam definidas sobre o papel dos Estados Unidos", disse Joyandet.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas se reúne hoje para tentar coordenar os trabalhos de ajuda ao Haiti, devastado por um violento terremoto na terça-feira passada.

Joyandet protestou perante os EUA por causa das dificuldades que teve para que aterrissasse um avião francês que transportava um hospital móvel, algo que o diplomata considerava prioritário.

O ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, minimizou a polêmica e disse que os esforços de ajuda ao Haiti "são coordenados da melhor forma possível".

"O avião (de Joyandet) aterrissou mais tarde. É normal que, no terreno, todo mundo queira chegar primeiro", afirmou Kouchner à rádio "France Info".

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 de Brasília da terça-feira passada e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. O Governo do país caribenho confirmou que pelo menos 70 mil corpos já foram enterrados.

Na quarta-feira passada, o primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, tinha falado em "centenas de milhares" de mortos.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 15 militares do país que participam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

A médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti, também morreram no tremor. EFE lmpg/an

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