Os ministros do Exterior de França e Polônia escreveram à secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pedindo que ela interceda junto às autoridades suíças pela libertação do cineasta Roman Polanski, informou o jornal francês Le Monde.

Ainda segundo o diário, a carta pediria ainda que Hillary considere a possibilidade de Polanski recorrer ao direito de perdão pelo presidente Barack Obama.

O cineasta de 76 anos, que tem cidadanias francesa e polonesa, foi detido na Suíça no sábado por causa de um alerta internacional emitido pelos Estados Unidos, após um mandado de prisão originalmente emitido há 31 anos pela Justiça americana.

Em 1977, ele admitiu ter mantido relações sexuais com uma garota de 13 anos, o que é ilegal no país, mas no ano seguinte fugiu para a França antes de receber a sentença.

Os advogados de Polanski disseram que vão contestar sua prisão e qualquer tentativa de extraditá-lo para os Estados Unidos.

Apoio

Outros políticos e grandes nomes do cinema em vários países também manifestaram apoio a Polanski. O ministro da Cultura da França, Frédéric Mitterand, se disse "chocado" com a prisão do cineasta.

"Não faz sentido que Polanski seja colocado em uma armadilha e jogado aos leões por causa de uma história antiga", afirmou.

Segundo Mitterand, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, está seguindo o caso "com grande atenção".

Artistas, como as atrizes Fanny Ardant e Monica Bellucci, assinaram uma carta manifestando seu "horror" com a prisão do cineasta.

Em Hollywood, o dono dos estúdios Miramax, Harvey Weinstein, disse ao jornal especializado Screen Daily que está pedindo para todos os cineastas ajudarem a "resolver esta terrível situação".

Oscar

Polanski foi preso quando viajava para o Festival de Cinema de Zurique, que está realizando uma retrospectiva de sua carreira.

Sem pisar em terras americanas desde 1977, o diretor recebeu à distância o Oscar de melhor filme pela obra "O Pianista", de 2002, que conta as memórias de um músico judeu em plena ocupação nazista de Varsóvia durante a Segunda Guerra Mundial.

Inicialmente indiciado por seis delitos sexuais, entre os quais pedofilia, o diretor pode ter de enfrentar o resto da vida na prisão se condenado.

A vítima no centro do caso, Samantha Geimer, hoje casada e com filhos, já pediu que as acusações contra o diretor sejam retiradas. Ela diz que a insistência da Justiça para que Polanski compareça diante de um juiz americano é uma "piada cruel".

No início deste ano, um magistrado americano afirmou que houve má conduta do juiz original do caso, hoje falecido, mas determinou que Polanski deveria retornar aos Estados Unidos para pedir a anulação do caso.

Por medo de ser enviado à Justiça americana, o diretor já evitou inclusive rodar suas obras na Grã-Bretanha, que, como a Suíça, tem acordos de extradição com os EUA.

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