PARIS (Reuters) - O governo francês organizará um encontro informal entre o Afeganistão e seus vizinhos antes do final de ano na esperança de estabilizar o país atingido por conflitos violentos, anunciou nesta terça-feira o Ministério das Relações Exteriores da França. Neste ano, aumentou o número de ataques contra as forças do governo afegão e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), bem como se intensificaram os combates no vizinho Paquistão entre as tropas do governo e os insurgentes que atuam nos dois lados da fronteira.

Eric Chevallier, porta-voz da chancelaria francesa, disse que o encontro "explorará a cooperação entre o Afeganistão e seus vizinhos imediatos a respeito de várias questões, entre as quais questões políticas, econômicas, comerciais e também de segurança."

O encontro deve reunir os países que fazem fronteira com o território afegão, mas outros também podem participar.

"Vamos esperar para ver se, de uma forma ampla, outros atores poderão ser incluídos e associados, em um nível diferente e com modalidades diferentes -- por exemplo os membros do P5 ou outros atores", disse o porta-voz, referindo-se aos membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), conhecidos como P5.

O Afeganistão faz fronteira com a China, o Irã, o Paquistão, o Tadjiquistão, o Turcomenistão e o Uzbequistão.

Dirigentes da Otan, da Grã-Bretanha e dos EUA disseram que o uso da força não garantiria por si só a vitória no Afeganistão, onde a aliança militar de 26 países mantém cerca de 50 mil soldados. Os comandantes dessa missão afirmam necessitar de ao menos 12 mil militares a mais.

O país, que não possui acesso ao mar, produziu 93 por cento do ópio do mundo em 2007. E o tráfico de drogas para além das fronteiras nacionais ajudou a custear a insurgência do Taliban.

Uma conferência de doadores do Afeganistão realizada em junho destacou a necessidade de haver cooperação regional e convocou os vizinhos do país a dar apoio aos esforços de estabilização e de proteção das fronteiras.

Segundo Chevallier, o encontro regional ajudaria a levar adiante esses objetivos.

Uma autoridade francesa que não quis ter sua identidade revelada disse que a reunião lembrava o encontro de políticos libaneses ocorrido nas cercanias de Paris, no ano passado.

Chevallier afirmou que a reunião "será realizada provavelmente por ministros", acrescentado que ocorreria "antes do fim da Presidência francesa" na União Européia (UE), em janeiro.

(Reportagem de Brian Rohan)

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