França nega extradição de ex-primeira-dama de Ruanda

Agathe Habyarimana é viúva do presidente da época do genocídio que deixou cerca de 800 mil mortos no país

iG São Paulo |

AFP
Foto tirada em 1977 mostra ex-primeira dama de Ruanda, Agathe Habyarimana
Um tribunal na França negou nesta quarta-feira a extradição da ex-primeira dama de Ruanda que está sendo procurada por promotores do país africano por relação com o genocídio em 1994.

Agathe Habyrimana, viúva do ex-presidente Juvenal Habyarimana, está sendo procurada desde 2009 por genocídio e crimes contra a humanidade. O genocídio em Ruanda teve início depois que um avião que trazia o então presidente  foi derrubado próximo à capital, Kigali.

Cerca de 800 mil tutsis e hutus moderados - etnias presentes no país -, foram massacrados pelo regime radical hutu em 100 dias. Os assassinatos em massa cessaram quando rebeldes tutsis, liderados pelo atual presidente Paul Kagame, derrotaram os extremistas em julho de 1994.

O líder da Comissão Nacional pela Luta contra o Genocídio, do qual Kagame é membro, afirmou no ano passado que Agathe Habyarimana era a "principal arquiteta" do genocídio.

Seguindo o requerimento das autoridades do país africano feito há dois anos, a polícia francesa prendeu Agathe no ano passado, mas ela foi libertada sob a condição de que permaneceria na França e sua situação seria regularmente verificada pela polícia.

No tribunal, Agathe afirmou estar "satisfeita" com a decisão e alegou que autoridades de Ruanda estavam no seu encalço, "porque eles sabem que mataram meu marido". Perguntada se era possível culpar o presidente Kagame pelo assassinato, ela não respondeu e apenas olhou para seu advogado.

"O que eu realmente gostaria era que a verdade sobre esse assassinato aparecesse. Aqueles que derrubaram o avião do presidente Habyarimana e seus companheiros do Burundi precisam ser identificados", disse ela. Cypriem Ntaryamira, presidente do Burundi, estava entre os mortos.

Agathe Habyarimana, uma hutu como seu marido, saiu de Ruanda com a ajuda das forças francesas em 9 de abril de 1994 e viveu no Zaire, atual Congo, antes de ir para a França.

Em 2004, a França rejeitou seu pedido por asilo político, alegando que ela era figura importante no regime responsável pelo genocídio. Há dois anos, um tribunal francês negou sua apelação, argumentando não ser verdade o que ela havia sustentado - que não tinha poder no governo do marido.

Em Kigali, o promotor-geral da Ruanda, Martin Ngoga, disse que a decisão não surpreendeu o governo, porque seu país nunca havia tido sucesso na tentativa de extraditar suspeitos da França, apesar de inúmeras tentativas. "A decisão de não extraditar Agathe Habyarimana é decepcionante, mas nós não iremos abrandar nossos esforços de trazer os suspeitos pelo genocídio à Justiça", afirmou.

"Esperamos que os franceses possam avaliar outras opções, como julgá-la por genocídio na França", acrescentou. "Nós esperamos para ver se os grupos de direitos humanos que são contra a extradição de Agathe pedirão à França para levá-la a julgamento ou se eles apoiarão a impunidade."

Com AP

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