França mobiliza recursos para encontrar caixas-pretas de avião

Paris, 17 jun (EFE).- As investigações sobre o acidente com o voo 447 da Air France se concentram agora na busca pelas caixas-pretas do avião, perdidas em algum lugar do Oceano Atlântico, informou hoje o Escritório de Investigação e Análise (BEA) da França.

EFE |

Como encontrar os dois dispositivos tornou-se fundamental para determinar as circunstâncias da queda da aeronave, as autoridades francesas optaram por uma mobilização significativa de recursos humanos e materiais.

O trabalho, porém, não será fácil. Os responsáveis pelas buscas procuram um sinal sonoro emitido pelas caixas-pretas. Mas este som não é muito mais alto que o de um pequeno martelo batendo contra o solo, disse hoje o BEA.

Para ajudar na tarefa, dois rebocadores franceses foram equipados com potentes hidrofones emprestados pelo Pentágono. Estes aparelhos, suspensos em cabos de seis quilômetros de comprimento, vão se aproximar o máximo possível do fundo do mar.

Os radares do submarino nuclear francês "Emeurade" também serão usados nas buscas, que se concentram numa "zona de máxima probabilidade". Esta área, com aproximadamente 80 quilômetros de raio, foi definida a partir da localização de corpos e destroços e com base na trajetória que o avião seguia até desaparecer.

Os investigadores, no entanto, não sabem se as caixas-pretas estão no fundo do mar ou no topo de algumas das cordilheiras marinhas que há na região.

Segundo as autoridades, os sinais sonoros dos dispositivos deverão continuar sendo emitidos até 1º de julho. Depois disso, "as esperanças de encontrar as caixas-pretas e o avião diminuirão muito", afirmou à imprensa o diretor do BEA, Paul-Louis Arslanian.

Por causa do pouco tempo e para facilitar o trabalho, o local das buscas foi dividido em quadrantes. Mas os investigadores ainda discutem se o melhor é correr ou fazer uma varredura lenta, porém detalhada.

Enquanto seguem as buscas pelas caixas-pretas, as investigações se limitam à análise dos destroços achados e das mensagens de rádio emitidas pelo avião minutos antes do acidente.

O BEA ainda não teve acesso às autópsias feitas no Brasil dos corpos resgatados no mar, informações que Arslanian considera "importantes" no "quebra-cabeças" da investigação.

As autópsias estão a cargo das autoridades brasileiras, mas foram acompanhadas por legistas franceses que participam das investigações.

Porém, o especialista que o BEA enviou ao Brasil para participar dos exames não foi autorizado a presenciá-los.

Arslanian demonstrou muita cautela ao afirmar que é prematuro tirar conclusões a partir do que não existe. Mas confirmou que, no fim do mês, o BEA publicará o primeiro relatório sobre o acidente.

Até o momento, foram recolhidos mais de 400 pedaços do avião, que estão sendo reunidos num hangar em Recife. O BEA já disse que não espera encontrar todo o aparelho, sobretudo as partes que estão no fundo do oceano.

Apesar de não ter apresentado nenhuma hipótese para as causas do acidente, o diretor do BEA fez um comentário sobre as investigações.

"Não digo que será um trabalho fácil, mas afirmo que estamos fazendo o máximo. Dado o trabalho feito até agora, acho que nos aproximamos do objetivo", afirmou Arslanian. EFE lmpg/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG