França lembra vítimas do avião em cerimônia na catedral de Paris

Paris, 3 jun (EFE).- A França lembrou hoje, em cerimônia realizada na Catedral Notre Dame de Paris, as 228 pessoas que estavam no avião da Air France que desapareceu na segunda-feira, enquanto as autoridades começam a investigar o que pode ter acontecido com o aparelho.

EFE |

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, acompanhado da esposa, Carla Bruni, de membros do Governo, do ex-chefe de Estado francês Jacques Chirac, de colegas da tripulação da companhia aérea e de parentes dos passageiros, participou de um emocionado ato na catedral.

A lembrança aos desaparecidos, em uma cerimônia ecumênica, começou com uma mensagem do papa Bento XVI, que expressou suas condolências pelo ocorrido e antes que o cardeal de Paris, André Vingt-Trois, falasse do escritor e aviador Antoine de Saint-Éxupery - autor de "O Pequeno Príncipe" -, desaparecido também quando voava sobre o mar.

O ato contou com 228 velas acesas, em lembrança aos desaparecidos, na maioria franceses, brasileiros e alemães, além de outros de mais de 30 nacionalidades.

Essa é a primeira vez na qual se manifesta o luto do país devido ao desaparecimento dos passageiros e da tripulação que, em um incidente de circunstâncias ainda não esclarecidas, viajavam a bordo do voo AF447 entre Rio de Janeiro e Paris, cujos destroços do aparelho começaram a aparecer no Oceano Atlântico.

As autoridades francesas não têm mais dúvidas de que os destroços avistados por militares brasileiros no Atlântico são do aparelho desaparecido.

O Exército francês afirmou que, embora seja preciso fazer "uma confirmação formal" quando os destroços forem recuperados, através de uma análise técnica, não resta mais dúvidas de que são do avião da Airbus.

As investigações já começaram, mas os responsáveis franceses advertiram imediatamente que será difícil encontrar as caixas-pretas do aparelho e que, até quando foram encontradas, isso não garantirá que será possível saber o que aconteceu.

O diretor do Escritório de Pesquisas e Análises (BEA, em francês), Paul-Louis Arslanian, lembrou, em entrevista coletiva perto do aeroporto Charles de Gaulle, onde se esperava a chegada do voo na segunda-feira, que as caixas-pretas de um avião "não são a única ferramenta" para determinar as causas de um acidente.

"Não estou muito otimista" sobre a possibilidade de encontrar as caixas-pretas, devido à profundidade na área do oceano onde está o avião da Air France e à acidentada orografia do fundo marinho, com formações montanhosas, disse Arslanian.

"A investigação está apenas começando", disse Arslanian, que avisou que ainda não é possível precisar as causas para o avião ter caído no mar.

Nas comunicações dos pilotos em seu último contato com o controle aéreo brasileiro, cerca de meia hora antes do momento em que o acidente pode ter acontecido, não se precisava se havia raios na zona de tempestades e turbulências pela qual atravessava.

Um porta-voz da Air France tinha antecipado como possível causa de um acidente, que um raio tivesse atingido o avião, mas, desde então, vários especialistas concordaram em afirmar que, se isso tivesse ocorrido, não se poderia explicar a queda do aparelho apenas por essa fatal casualidade.

O BEA pretende publicar um primeiro relatório sobre o desaparecimento do avião no final de junho e é a instância responsável do que se conhece como "investigação de segurança", com o objetivo de evitar que alguma falha ou problema possa se repetir no futuro.

Além da investigação do BEA, foi aberta outra de caráter judicial, a fim de averiguar se houve eventuais infrações penais.

EFE jam/an

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