França lança pacote de estímulo de 26 bi de euros

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou nesta quinta-feira um pacote de cerca de 26 bilhões de euros que serão investidos nos próximos dois anos para estimular a economia, com o objetivo de apoiar principalmente os setores automobilístico e da construção e aumentar o consumo interno. O arsenal anticrise, como definiu Sarkozy, para frear a queda da atividade econômica na França inclui uma aceleração de projetos de obras públicas que estavam dormindo em caixas e seriam realizados em longo prazo, afirmou o presidente.

BBC Brasil |

"Nossa resposta à crise é o investimento. Essa é a melhor opção para apoiar a atividade econômica e preservar os empregos", disse Sarkozy em um discurso de cerca de uma hora em Douai, no norte da França.

O local para a apresentação das medidas não foi escolhido por acaso. Ele se situa próximo a uma fábrica da montadora Renault, fortemente afetada pela crise financeira.

"Sairemos dessa crise mais fortes do que antes. A crise vai mudar tudo e devemos nos preparar para lutar contra a destruição", disse Sarkozy.

Dois anos
Os investimentos do governo em obras públicas que devem ser realizadas nos próximos dois anos totalizam 10,5 bilhões de euros, incluindo os recursos que serão utilizados também por estatais e administrações municipais.

Estão previstas renovações de inúmeros prédios públicos, como hospitais e tribunais, investimentos em pesquisas e laboratórios e também melhorias nas infra-estruturas de estradas, ferrovias e vias fluviais, além da construção de quatro linhas de trens de alta velocidade (o trem-bala TGV) e de 100 mil moradias sociais, entre outros projetos.

O governo também vai antecipar o reembolso dos créditos fiscais das empresas, de tributos como o ICMS, para permitir reforçar o caixa das empresas nesse período de diminuição dos empréstimos bancários.

Para estimular a venda de carros novos, Sarkozy anunciou um bônus no valor de mil euros para as pessoas que seus veículos antigos por modelos novos e mais ecológicos.

"O Estado está disposto a fazer tudo para salvar a indústria automobilística francesa. Mas não haverá ajuda sem contrapartida e sem que as empresas assumam o compromisso de não transferir unidades a outros países", disse o presidente.

Encargos sociais
Sarkozy também anunciou a exoneração dos encargos sociais durante um ano para empresas com menos de dez empregados que realizarem contratações, e um bônus no valor de 200 euros (cerca de R$ 625) para cerca de 3,8 milhões de famílias de baixíssima renda.

O pacote de estímulo à economia, de 26 bilhões de euros, representa 1,3% do PIB francês.

Sarkozy reconheceu que as medidas vão aumentar o déficit público em 15,5 bilhões de euros para cerca de 4% do PIB no próximo ano, o que ultrapassa o limite fixado pelo tratado de Maastricht, que prevê a estabilidade monetária nos países da zona do euro.

Antes do pacote, o governo previa que o déficit público seria de 3,1% do PIB no próximo ano.

"Não temos escolha. Digo aos especialistas que não fazer nada nos custaria muito mais caro. Haveria muito mais empresas falidas e o desemprego explodiria. Mas o custo disso ninguém comenta", disse o presidente para justificar o não cumprimento das regras européias.

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