França lança missão humanitária para tentar socorrer Betancourt

Paris, 2 abr (EFE).- A França organizou uma missão humanitária que tentará entrar em contato com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e libertar a refém Ingrid Betancourt, cuja vida é uma questão de horas segundo seu filho, Lorenzo Delloye, mas não revelou mais detalhes sobre a operação, que tem o apoio de Bogotá.

EFE |

O Palácio do Eliseu não quis comentar imediatamente o anúncio das autoridades colombianas de que a operação já está "em andamento".

A iniciativa foi anunciada ontem à noite pelo Governo francês após o presidente Nicolas Sarkozy pedir em uma mensagem ao chefe das Farc, Manuel Marulanda, que libertasse imediatamente Betancourt, que está seqüestrada desde fevereiro de 2002 e que agora corre "perigo de morte iminente".

Sarkozy recebeu o aval de seu colega colombiano, Álvaro Uribe - que aceitou suspender as operações militares na região da missão -, e também conversou por telefone com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que teve um papel-chave na libertação de seis reféns das Farc em janeiro e fevereiro deste ano.

"Esperamos muito" da missão, que inclui um médico, disse hoje o ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, após o Conselho de Ministros da França, no qual o caso de Betancourt foi discutido.

Agora "deve-se esperar que os enviados especiais" da França possam "chegar à região", declarou Kouchner, que advertiu que "não será simples".

Kouchner não deu mais detalhes e outros porta-vozes oficiais rebateram os imperativos de "segurança" e "eficácia" para não revelarem a composição da missão, quando viajará e seu destino.

Ainda não se sabe se a França entrou em contato com as Farc nem se estas aceitaram se encontrar com a missão que, segundo a emissora "LCI", inclui dois diplomatas e que teriam conseguido falar com a guerrilha apesar da morte de "Raúl Reyes", o porta-voz internacional da guerrilha colombiana.

Em um comunicado recente, um líder guerrilheiro afirmou que a morte de Reyes em um ataque militar colombiano em território equatoriano no dia primeiro de março foi um duro golpe nas chances de um possível acordo humanitário e que cancelou um encontro com emissários franceses para "explorar a libertação" da refém.

O próprio secretário-geral do Palácio do Eliseu, Claude Guéant, disse que se estava "muito perto de um acordo" quando aconteceu a morte de Reyes, principal interlocutor de Paris e que teria sido localizado ao querer se comunicar por telefone com os emissários.

Enquanto isto em Paris, Lorenzo fez o que chamou de "último pedido" pela libertação de sua mãe, cuja vida, disse, é uma "questão de horas".

"Na selva colombiana, uma mulher, minha mãe, caminha para a morte. Sofre de hepatite B e leishmaniose, precisa de uma transfusão de sangue nas próximas horas" para ser salva, declarou Lorenzo, visivelmente emocionado, em entrevista coletiva.

Dirigindo-se diretamente a Marulanda, Lorenzo disse: "o mundo está olhando para você. O senhor deve decidir se quer ficar para sempre como um criminoso de guerra ou entrar nos livros como um homem".

O filho de Betancourt também mandou uma mensagem a Uribe, a quem agradeceu as "fortes iniciativas" tomadas nas últimas horas.

"Presidente Uribe sei que no fundo o senhor não quer correr o risco de compartilhar com seu inimigo histórico, as Farc, a responsabilidade pela morte de mamãe", afirmou Lorenzo.

O jovem pareceu considerar verdadeiras as informações de que sua mãe não come nem toma remédios há cinco semanas não por ter perdido a vontade de viver, mas para mostrar às Farc e a Uribe suas "responsabilidades diante da história".

Entretanto, Astrid Betancourt, irmã da refém, colocou em dúvida a informação de que a ex-candidata à Presidência colombiana esteja fazendo greve de fome e afirmou que "não a deixarão morrer".

O lançamento da missão humanitária francesa acontece depois de Paris multiplicar nas últimas semanas os gestos em prol da libertação de Betancourt.

O primeiro-ministro francês, François Fillon, disse ontem que a França propôs acolher com o status de "refugiado político" os guerrilheiros em troca desta libertação.

Desde o final da última semana, o Governo mantém um avião equipado com equipamentos médicos e preparado para intervir a qualquer momento. EFE al/wr/fal

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