A Marinha francesa tenta nesta sexta-feira determinar as causas do acidente de dois aviões de combate Rafale, no momento em que Paris pretende exportar pela primeira vez, ao Brasil, esta aeronave fabricada pelo grupo Dassault e apresentada como uma jóia de tecnologia.

Dois Rafale do porta-aviões Charles-de-Gaulle da Marinha francesa caíram no Mar Mediterrâneo quinta-feira ao longo de Perpignan (sul da França) e o piloto de um deles, que conseguiu se ejetar, foi resgatado. As buscas, que entraram pela madrugada, prosseguem nesta sexta-feira para tentar encontrar o piloto que está desaparecido.

O ministro francês da Defesa, Hervé Morin, ordenou a abertura de uma investigação para determinar as causas precisas do acidente, ocorrido no fim de uma missão de teste, quando as duas aeronaves voltavam para o porta-aviões.

"Parece que os dois aviões se chocaram. É preciso deixar claro que não sabemos mais nada além disso. Uma investigação está sendo feita", declarou o ministro, em entrevista à imprensa em Toulon com base nos testemunhos do piloto sobrevivente.

"Não há vestígios de destroços, nem nada encontrado pelas equipes de busca", acrescentou.

Este acidente aconteceu em um momento particularmente delicado para a França: o caça, que ainda não foi vendido no exterior, é o favorito para um contrato de quase cinco bilhões de euros para a entrega de 36 Rafale ao Brasil.

Questionado sobre o incidente em relação a esta venda, Hervé Morin tentou tranquilizar sobre a qualidade da aeronave francesa.

"A priori, isto não tem nada a ver com o avião, foi antes de mais nada um acidente de voo", declarou, destacando que é necessário investigar.

Na quarta-feira, em Nova York, o presidente francês Nicolas Sarkozy falou da grande vitória contra os concorrentes americano e sueco da França, garantindo que o contrato de venda ao Brasil de 36 Rafale seria assinado.

Mas se o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, havia realmente dado seu acordo de princípio para a compra do Rafale, em razão principalmente das grandes transferências de tecnologias concedidas pela construtora Dassault, o preço exigido por Paris ainda era considerado alto demais por Brasília.

O Brasil deu aos três concorrentes (Dassault, o sueco Saab e o americano Boeing) até o fim de setembro para apresentar suas ofertas comerciais.

Esta não é a primeira vez que o Rafale aparece como favorito: a primeira venda, ao Marrocos, fracassou na última hora frente à concorrência americana em 2007. Mais recentemente, os Emirados Árabes Unidos manifestaram interesse pelo Rafale e apresentaram "exigências técnicas à construtora.

Uma venda ao Brasil, que já assinou um acordo para fornecimento de quatro submarinos franceses de ataque e de um coque de submarino à propulsão nuclear, em dezembro de 2008, viria em um momento importante para a Dassault Aviation que sofre com a crise e enfrenta vários cancelamentos de encomendas há alguns meses.

O acidente de quinta-feira é o segundo do Rafale após a queda de uma aeronave em 6 de dezembro de 2007 no centro da França, atribuído pela Defesa a uma desorientação espacial do piloto, que morreu.

Questionada pela AFP, a Dassault não fez nenhum comentário sobre o novo acidente de um Rafale, um avião multifunção fabricado para substituir sete aviões e apresentado como a jóia da aviação francesa.

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