França investiga motivação política de bombas em loja

As autoridades francesas consideram a possibilidade de que a tentativa de atentado na loja de departamentos Printemps, em Paris, onde cinco barras de dinamites foram encontradas na terça-feira, possa ter sido planejada por um grupo radical político de extrema esquerda, e não por um movimento islâmico. A carta que alertou sobre os explosivos, assinada por uma desconhecida organização chamada Frente Revolucionária do Afeganistão e enviada à agência de notícia France Presse, exigia a retirada das tropas francesas do país até fevereiro de 2009.

BBC Brasil |

Mas especialistas em terrorismo entrevistados pela imprensa francesa e também membros do governo afirmam que os termos da carta, e a maneira como o grupo agiu, foram bastante diferentes do comportamento habitual dos grupos extremistas islâmicos.

"É evidente que o fraseado e a argumentação não correspondem à dialética dos movimentos terroristas islâmicos", afirmou o ministro francês da Defesa, Hervé Morin.

"O nome do grupo inclui a palavra revolucionária", acrescentou. "Na carta, as lojas são designadas como capitalistas, e não há nenhuma referência ao Islã nem à guerra santa dos grupos radicais islâmicos."
"Todos esses elementos fazem com que a pista islâmica não seja a primeira levada em conta", declarou Morin. O ministro acrescentou, no entanto, que "é preciso permanecer prudente, e não deixar de lado nenhuma possibilidade".

Marxistas
Especialistas franceses afirmam que a terminologia utilizada está mais próxima dos ideais marxistas revolucionários.

Na carta enviada à agência France Presse, o grupo ameaça realizar atentados "nas grandes lojas capitalistas" se o governo francês não retirar suas tropas do Afeganistão.

"A linguagem utilizada não é a dos grupos radicais islâmicos", afirmou o porta-voz do Ministério do Interior francês.

Segundo uma autoridade da polícia francesa, entrevistada pelo jornal Le Figaro, "todas as hipóteses, principalmente a de um ato de uma pessoa isolada ou de provocações feitas por grupos ligados à extrema esquerda ou direita, estão sendo consideradas".

Esquema de segurança
Apesar de não considerar a pista islâmica como a principal nas investigações, o governo francês ainda não descartou nenhuma possibilidade e decidiu reforçar a segurança nas áreas das grandes lojas de departamentos, que estão ainda mais movimentadas nesta época de Natal.

A ministra do Interior, Michèle Alliot-Marie, anunciou nesta quarta-feira que mais 500 policiais vão reforçar o esquema de segurança em locais que atraem grande público em Paris - que contará com um total de 2,5 mil homens.

Mais patrulhas serão realizadas na área das lojas de departamentos Printemps e Galeries Lafayette, no bairro da Ópera, onde será instalado um caminhão que funcionará como uma delegacia móvel.

A ministra realizou na manhã desta quarta-feira uma reunião com responsáveis das lojas de departamento, dos transportes, de aeroportos e da polícia para discutir o reforço da segurança no período de festas de fim de ano.

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