França inicia Presidência rotativa da UE com novas complicações

Paris, 1 jul (EFE).- A França inicia hoje sua Presidência semestral da União Européia (UE) com as tradicionais reuniões de seus líderes com membros da Comissão Européia (CE) para tratar sobre as prioridades do semestre, mas com uma nova complicação para o processo de ratificação do Tratado de Lisboa.

EFE |

Ao "não" irlandês ao tratado, que complica o trabalho da Presidência da UE, segundo reconheceu nesta segunda-feira à noite o presidente francês, Nicolas Sarkozy, se soma agora a ameaça do chefe de Estado polonês, Lech Kaczynski, de não ratificá-lo.

Em uma entrevista a um jornal polonês divulgada ontem à noite, Kaczynski afirmou que o tratado já "não faz sentido" depois do "não" irlandês e, perguntado se assinará o texto, aprovado pelo Parlamento polonês, indicou que "é inútil agora".

Por enquanto, as autoridades francesas não reagiram oficialmente às declarações de Kaczynski.

É esperado que Sarkozy e o presidente da CE, José Manuel Durão Barroso, falem com a imprensa sobre o assunto após uma reunião no Palácio do Eliseu prevista para as 12h30 (horário de Brasília).

Antes, os membros do Executivo comunitário almoçarão com o primeiro-ministro francês, François Fillon, e seu gabinete, e terão reuniões de trabalho para repassarem as prioridades e o calendário do semestre.

A França fixou quatro prioridades para estes seis meses: um pacto europeu sobre a imigração, um acordo sobre a aplicação do pacote energia-clima - que entre outros pontos prevê para 2020 a redução em 20% das emissões européias de CO2 -, a revisão da política agrícola comum e o relançamento da Europa da defesa.

Em uma longa entrevista televisionada ontem à noite, Sarkozy defendeu suas propostas nesses âmbitos, exceto na defesa européia - sobre a qual não falou nada -, talvez para não complicar mais a busca por uma solução ao "não" irlandês ao tratado, tendo em vista a neutralidade da Irlanda.

O presidente francês, que viajará no próximo dia 11 à Irlanda, disse que não deve haver precipitação, mas que também não há muito tempo para encontrar uma saída, já que a data limite é junho de 2009 devido às eleições européias.

As declarações do presidente polonês, que se somam às reservas de seu colega tcheco, Vaclav Klaus, podem ameaçar o objetivo declarado de o processo de ratificação do Tratado de Lisboa continuar nos países que ainda não assinaram o texto por estarem à espera de uma solução para o embrulho irlandês. EFE al/fh/mh

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