Paris, 1 abr (EFE).- O primeiro-ministro francês, François Fillon, informou hoje as três condições fixadas pelo presidente Nicolas Sarkozy a seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para o polêmico envio de tropas adicionais francesas ao Afeganistão.

Trata-se do compromisso "simultâneo" de outros países aliados de aumentar suas forças no Afeganistão, do estabelecimento de um calendário para que o Exército afegão assuma progressivamente o controle do país, e do aumento da ajuda internacional ao desenvolvimento, indicou Fillon na emissora "France Inter".

O chefe do Governo conservador francês defendeu especialmente que o Exército afegão assuma a partir de meados de 2009 a região de Cabul, onde está desdobrada a maior parte dos 1.600 soldados franceses da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf).

O primeiro-ministro defenderá hoje no Parlamento francês, em uma sessão sem voto, o plano de reforço da presença militar do país no Afeganistão, uma idéia que sofre com a rejeição da oposição de esquerda, que expressou seu temor por "um novo Vietnã".

As pesquisas mostram que dois terços dos franceses também se opõem ao plano.

Perguntado sobre as informações na imprensa britânica de que a França vai enviar mais mil soldados ao Afeganistão, Fillon disse que as autoridades francesas "nunca" comunicaram este número.

O presidente Sarkozy, que anunciou sua intenção de reforçar ao contingente francês em discurso ao Parlamento britânico durante sua visita ao Reino Unido na semana passada, pode precisar o número na cúpula da Otan que começa amanhã em Bucareste.

Segundo a imprensa, os militares franceses privilegiam o envio dos reforços ao leste, onde acontece a operação antiterrorista americana "Liberdade Duradoura", e não ao sul, onde acontecem os combates mais intensos contra os insurgentes talibãs.

O ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, disse que o envio de tropas adicionais responde a "uma necessidade" dos aliados, e em particular os que estão em "regiões ameaçadas e que precisam de um esforço suplementar".

"Esses países nos pedem para fazer um esforço a mais. Alguns de nossos aliados estão em regiões ameaçadas e precisam de reforço", explicou Kouchner na emissora "RTL".

O ministro lembrou que Sarkozy escreveu a seus colegas para dizer-lhes que "as coisas não podem continuar como estão", e que é preciso fixar "perspectivas estratégicas, políticas".

"Trata-se de passar a responsabilidade aos afegãos e é o que vamos fazer", de modo que não haja "nenhum projeto, seja civil ou militar, que não seja assumido por eles. É a única forma de deixarmos o mais rapidamente possível essa guerra", argumentou Kouchner. EFE ac/mh

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