França espera Farc autorizar atendimento a Betancourt

PARIS (Reuters) - A França informou na sexta-feira que continua à espera de uma resposta da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a respeito de uma missão médica para tratar de Ingrid Betancourt, cidadã franco-colombiana mantida refém desde 2002. Tentamos de tudo, afirmou o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, em entrevista à rádio Europe 1.

Reuters |

'Colocamos toda a América Latina para nos ajudar e todos estão envolvidos agora', disse. 'Estamos esperando, a postos.'

Uma equipe médica vinda da França chegou à Colômbia na quinta-feira. A missão foi enviada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, em uma tentativa de dar atendimento a Betancourt, que estaria gravemente doente após passar mais de seis anos vivendo presa em acampamentos montados em áreas de mata.

'Estamos tentando, tentando e tentando. Não há alternativa', afirmou Kouchner.

Sarkozy fez da libertação de Betancourt, ex-candidata à Presidência da Colômbia, uma prioridade de sua política externa. No entanto, até agora, poucos detalhes foram revelados a respeito da missão enviada ao território colombiano para tentar dar atendimento médico à refém em um acampamento rebelde.

Em um comunicado, Rodrigo Granda, um dos líderes das Farc, disse que o fato de um importante comandante do grupo ter sido morto em março complicou as negociações e que os rebeldes não libertariam Betancourt ou outros reféns sem um acordo para trocá-los por guerrilheiros presos.

Granda não citou especificamente a missão médica da França nem deixou claro se essa equipe teria autorização para ver Betancourt.

Um diplomata francês disse na sexta-feira que o comunicado de Granda havia sido elaborado antes do início da missão médica.

'A carta de Granda foi publicada no dia 19 de março, vários dias antes de a missão humanitária ter sido até mesmo criada', afirmou o diplomata, que não quis ter sua identidade revelada.

Um avião francês aguardava na pista da base militar de Catam, em Bogotá, com os tanques cheios e pronto para voar rumo a qualquer ponto de destino localizado dentro da Colômbia, afirmaram autoridades.

O filho de Betancourt fez um apelo comovente na rádio francesa RFI, afirmando à mãe que estava indo bem na escola e pedindo aos sequestradores que a libertassem.

'Para as Farc, eu peço que por favor realizem um gesto de boa vontade. Compreendam que este é um momento histórico para vocês', disse Lorenzo Delloyse Betancourt, em declarações traduzidas do espanhol.

'Mãezinha, eu sei que você está atravessando momentos muito difíceis. Mas, por favor, esses são realmente os últimos desses dias. Todos nós queremos ver de novo aquela mulher forte e decidida', afirmou.

Reféns libertados nos últimos meses pelos guerrilheiros em meio a acordos mediados pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, dizem que Betancourt está sofrendo de hepatite. Imagens de um vídeo gravado pelos rebeldes no ano passado mostram-na pálida e fisicamente debilitada, dentro de um acampamento na mata.

Betancourt, segundo os reféns libertados, teria sido acorrentada a uma árvore após várias tentativas de escapar.

(Reportagem de James Mackenzie, Evelyn Sayan, Brian Rohan e François Murphy)

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