França entra com pé direito em Cannes com a exibição de seu primeiro filme

Alicia García de Francisco Cannes (França), 16 mai (EFE).- A França chegou e convenceu em Cannes com seu primeiro filme na competição oficial, Un conte de Noël (Um conto de Natal), de Arnaud Desplechin, um drama familiar açucarado, com muitos toques de comédia e uma perfeita interpretação de um excelente grupo de atores.

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A história - com uma família formada por Catherine Deneuve, Jean-Paul Roussillon, Anne Consigny, Mathieu Amalric, Melvil Poupaud, Hippolyte Girardot, Emmanuelle Devos, Chiara Mastroianni, Laurent Capelluto e Emile Berling - foi muito bem recebida em sua primeira exibição de imprensa e elogiada de forma bastante generalizada.

Com um estilo típico francês, a narração tem toques que beiram a comédia mais disparatada, e uma estrutura copiada das fórmulas cômicas do cinema mudo - dividida em capítulos que iniciam com uma imagem de clarabóia sobre um dos personagens e se expande até cobrir toda a tela - o que minimiza os dramas vividos pela família.

Mortes, doenças, incompreensões e traumas antigos rodeiam os personagens dessa história, o que justifica sua duração de duas horas e meia.

Um dramalhão suavizado por toques de comédia e uma ou outra imagem surrealista, que lembra o cinema anterior de Desplechin, mas também outros filmes franceses, desde "Amélie Poulin" a "Tia Danielle".

Desplechin explicou em entrevista coletiva que está consciente de que quase tudo já foi inventado e de que as histórias de hoje pouco têm de novo, fato pelo qual ele garante que se esforçará para ser "um ator como os demais", mas sempre tentando contribuir com um toque particular em cada filme.

Essas idéias podem ser observadas nas múltiplas homenagens que existem no filme.

Cenas captadas de filmes como "Sonho de uma Noite de Verão", em uma versão em preto e branco de William Dieterle, "Cinderela em Paris", com Fred Astaire e Audrey Hepburn ou a famosa cena de Moisés (Charlton Heston) em "Os dez mandamentos".

Imagens essas que fazem a família se reunir diante da televisão na casa onde passaram a infância; que se transforma, além disso, em um personagem a mais da história.

Catherine Deneuve, que não parou de brincar com os jornalistas, observou - embora friamente - que essas relações familiares se transportaram para a realidade.

A Atriz destacou o clima agradável com o qual o filme se desenvolveu, onde todos estavam juntos, no mesmo hotel, e se criou "um vínculo familiar" que cresceu na medida em que a história ia sendo construída.

Após a exibição do filme francês, o diretor turco Nouri Bilge Ceylan, também presente na competição oficial com "Uç Maymun" (Três macacos), defendeu a improvisação e o instinto como formas de se fazer cinema.

Em entrevista coletiva após a boa recepção do filme, Ceylan explicou que quando prepara um roteiro, escreve até o final, para depois voltar e alterar tudo que for preciso.

"Nunca deixo de pensar. Rodar é como um pesadelo", disse Ceylan, que acrescentou que "a tarefa mais importante de um diretor é ver o que acontece, procurar os pontos fracos e encontrá-los e, se tiver a impressão de que algo não funciona, é preciso reagir porque na montagem será muito difícil".

Por isso, indicou que sua forma de trabalhar é primeiramente filmar, tal qual diz o roteiro, e fazer isso de todas as formas possíveis, para apenas depois passar à improvisação, "quando os atores são bons em improvisação", ressaltou.

Isso foi o que ele fez em "Uç Maymun", uma história familiar - como todas até agora na competição oficial - que conta as mentiras nas quais vivem os membros dessa família.

Uma árida história familiar com uma narração muito pausada, sutil e forte apelos para os olhares. EFE agf/fb

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