França enterra atirador depois de recusa da Argélia

Corpo de Mohamed Merah, assassino confesso de sete pessoas, foi enterrado nos arredores de Toulouse

iG São Paulo |

O franco-argelino que confessou ter matado sete pessoas no sul da França foi enterrado nos arredores da cidade de Toulouse.

O corpo de Mohamed Merah , morto pela polícia francesa após um cerco de 32 horas ao seu apartamento na semana passada, foi enterrado na parte muçulmana do cemitério de Cornebarrieu, no subúrbio de Toulouse, horas depois de o prefeito da cidade dizer que seria inapropriado enterrá-lo no local e pedir um adiamento de 24 horas.

Pouco mais de dez pessoas, sendo a maioria jovens, acompanharam o corpo de Merah, fechado em um caixão de madeira clara com alças douradas, e realizaram uma oração no momento em que o corpo desceu à sepultura. O cemitério, que costuma estar fechado a essa hora, foi aberto especialmente para a cerimônia.

Abdallah Zekri, do Conselho Muçulmano da França, ajudou a organizar o funeral e disse à agência France Presse que as objeções com autoridades haviam sido deixadas de lado para que o enterro pudesse ser realizado. “Houve negociações e chegamos a um acordo”, disse Zekri.

Saiba mais: Veja cronologia dos ataques e do cerco a suspeito na França

Mais cedo, autoridades da Argélia recusaram a ideia de enterrar o assassino confesso de três ataques lá. O prefeito de Toulouse , Pierre Cohen, tentou vetar que o corpo do franco-argelino de 23 anos fosse enterrado na cidade. “Seguindo a recente recusa da Argélia em aceitar o corpo de Mohamed Merah, o prefeito Pierre Cohen sente que o enterrro na cidade de Toulouse é inapropriado”, disse anteriormente seu gabinete em comunicado.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, no entanto, disse à rede BMFTV que o enterro de Merah poderia ser realizado na França. “Ele era francês. Deixe ele ser enterrado e não vamos teremos argumentos a respeito”, disse o presidente.
Autoridades argelinas citaram questões de segurança como a principal razão para a recusa do enterro na Argélia, de acordo com Zekri.

O desejo da família de Merah era enterrar o corpo na Argélia, de onde seus parentes são originalmente. A família planejava realizar o funeral no vilarejo de Bezzazz, na província de Medea, a cerca de 80 km no sul da capital Argel.

Segundo cúmplice

A polícia da França procura um homem suspeito de ter ajudado Merah a preparar três ataques que deixaram sete vítimas no país.

Policiais que não quiseram ser identificados disseram que os investigadores procuram um novo cúmplice de Merah, depois de o irmão do franco-argelino, Abdelkader Merah, ter sido acusado de envolvimento nos ataques.

Abdelkader Merah, que está preso e alega não ter conhecimento dos planos do irmão, disse que um outro homem, que não identificou, ajudou seu irmão a roubar uma moto usada nos ataques.

A polícia também encontrou um carro abandonado em um estacionamento de Saint-Papoul, no sul da França, que pertence a um homem cujo endereço seria o mesmo de Mohamed Merah em Toulouse. Segundo a imprensa francesa, dentro do veículo a polícia teria encontrado um capacete e parte de carroceria de uma moto como a usada por Merah. Não está claro se o dono do carro e o suposto homem que roubou a moto são a mesma pessoa.

AP
Bombeiros franceses partem após ação policial contra suspeito de ataques contra militares e escola judaica em Toulouse (22/3)

O caso levou o governo francês a querer endurecer as medidas contra extremistas . Na terça-feira, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou a intenção de acelerar expulsões de extremistas presentes no país e garantiu que todas as pessoas autoras de "declarações infames" contra a França não serão autorizadas a entrar no território nacional.

Nesta quinta-feira, os ministérios do Interior e das Relações Exteriores anunciaram a proibição da entrada no território francês de quatro clérigos muçulmanos estrangeiros convidados a participar do congresso da União de Organizações Islâmicas da França (UOIF, ligada à Irmandade Muçulmana), que acontecerá em Le Bourget (norte de Paris) de 6 a 9 de abril de 2012, afirma um comunicado.

Os quatro homens vetados se unem aos religiosos Yussef Al-Qaradaoui e Mahmoud Al-Masri, que também tinham sido convidados ao congresso, mas que não eram "bem-vindos" na França, segundo o governo. Os dois oficialmente "desistiram" da viagem.

*Com AP, AFP e BBC

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