Paris, 6 jul (EFE).- O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, definiram hoje posições comuns para a próxima reunião de líderes do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais desenvolvidos e a Rússia) e renovaram sua entente formidável na cúpula bilateral de hoje na cidade francesa de Evian.

Essa foi a expressão utilizada por Brown no ano passado para definir a relação bilateral e que hoje segue em vigor, a julgar pela sintonia que presidiu a 30ª cúpula anual franco-britânica.

Sarkozy e Gordon aproveitaram a reunião, desta vez em um hotel de luxo da cidade balneário francesa, para repassar a cooperação e preparar a reunião do G8 que começa nesta quarta-feira, em L'Aquila, na Itália.

Os dois líderes viajarão à Itália com várias propostas comuns em assuntos-chave, como o combate à mudança climática, os preços da energia e os paraísos fiscais.

Sobre o clima, França e Reino Unido pedirão aos líderes dos países mais poderosos do mundo que fixem "objetivos" na luta contra a mudança climática.

Os dois países defendem objetivos "a médio prazo" neste âmbito, disse o chefe do Estado francês, em entrevista coletiva junto com Brown ao término da reunião entre os dois.

"Vamos trabalhar juntos" nessa questão, acrescentou o presidente francês.

A posição será comum também ao abordar o preço do petróleo e as possíveis medidas a serem adotadas para reduzir sua volatilidade. No entanto, os líderes não precisaram os detalhes.

Essa proposta conjunta será divulgada "em poucos dias", segundo Sarkozy, que antecipou que está claro que é preciso fazer algo para garantir a "transparência" e evitar que os especuladores façam os preços variarem a seu desejo.

Na opinião do chefe de Estado francês, deveria ser fixado uma faixa de preços que seja razoável.

Isso deve ser feito, disse Brown, em coordenação com os países produtores e consumidores.

No âmbito dos paraísos fiscais, o primeiro-ministro do Reino Unido deixou muito claro que vão pedir a determinação de um prazo máximo, até março do próximo ano, para a imposição de sanções contra os países ou territórios que permitirem a evasão de impostos.

"A contagem regressiva começou", advertiu o premiê do Reino Unido, após precisar que as sanções poderiam se concretizar na retirada de ajuda ou na revisão de políticas de investimentos.

Além dessas questões, Sarkozy e Brown, junto com os ministros de seus respectivos Governos que os acompanharam, repassaram hoje a cooperação bilateral em muitos outros âmbitos, como em matéria nuclear, de defesa e de imigração.

Além disso, analisaram a crise gerada no Irã após as eleições presidenciais e as tensões surgidas por causa dos ataques feitos pelas autoridades de Teerã contra o Governo britânico.

"Somos totalmente solidários a nossos amigos britânicos", disse Sarkozy, em referência às acusações de Teerã contra Londres e à detenção de vários trabalhadores locais da Embaixada do Reino Unido em Teerã.

O premiê britânico aproveitou seu comparecimento à imprensa para fazer uma advertência ao Irã, no sentido de que os parceiros europeus estão dispostos a tomar medidas "juntos", se todos os trabalhadores retidos não forem libertados.

"Os resultados das eleições iranianas são assunto do povo iraniano", mas as expulsões de diplomatas e a detenção de empregados da embaixada são atos inaceitáveis e injustificáveis, acrescentou.

Brown fez este aviso pouco depois de seu Governo confirmar a libertação do oitavo dos nove detidos, e informar que continuam os esforços para conseguir com que o último trabalhador que ainda permanece retido seja colocado em liberdade. EFE pi/an

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