França e Alemanha pedem acordo em disputa Rússia-Ucrânia por gás

PARIS (Reuters) - A França e a Alemanha disseram à Rússia na quinta-feira que o país precisa honrar seus contratos de fornecimento de gás com a Europa independentemente de sua disputa com a Ucrânia, mas também recomendaram a Kiev que não esqueça suas obrigações com a União Européia. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, disseram a jornalistas que vão incentivar a Rússia e a Ucrânia a levarem adiante negociações para tentar resolver a disputa, que vem prejudicando o fornecimento de gás a muitos países da Europa.

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"Esperamos que as conversações entre Ucrânia e Rússia rendam resultados rápidos", disse Merkel após seu encontro com Sarkozy.

A Rússia cortou o fornecimento de gás para o consumo doméstico da Ucrânia no dia 1o de janeiro, após divergências sobre o preço do gás e valores devidos pela Ucrânia. Mais tarde, suspendeu o fornecimento de gás que passa pela Ucrânia, prejudicando a distribuição em toda a Europa.

A empresa russa Gazprom disse que não adiantava entregar o gás porque Kiev fechara as tubulações. A Ucrânia declarou que a Rússia estava propositalmente privando a Europa de gás.

"Os russos precisam respeitar suas obrigações contratuais com a Europa", disse Sarkozy, enquanto Merkel avisava que "é do interesse da Rússia ser vista como parceira confiável."

Mas os dois líderes indicaram que a Europa também responsabiliza a Ucrânia pela situação.

"Quanto à Ucrânia, acho que estou bem posicionado para afirmar que a Europa já fez muito pela Ucrânia", disse Sarkozy, explicando que a França ajudou a garantir status privilegiado para a Ucrânia em suas transações com a União Européia.

"Nenhum país deve fazer qualquer outro de refém", acrescentou o presidente francês.

O sudeste da Europa vem sendo o mais atingido pelos problemas no suprimento de gás, mas esta vem afetando o suprimento em países tão longe quanto França e Alemanha, num momento em que a Europa enfrenta frio abaixo de zero.

"A busca pelas causas não é a primeira prioridade", disse Merkel. "A primeira prioridade é que o gás volte a chegar à Bulgária, Sérvia e Bósnia."

"A Alemanha é relativamente bem provida de instalações de armazenagem, mas não é esse o caso de outros países. Isso certamente terá consequências para a política européia. Vamos refletir sobre como obter mais capacidade de armazenagem."

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